O Taleban varreu o Afeganistão, retomando o país do fraco governo local que os militares dos Estados Unidos sustentaram por quase duas décadas. E enquanto o tumulto toma conta da nação, empresas de mídia social com sede nos EUA se apressam em dar uma resposta a esse cenário. No entanto, nem todas estabeleceram regras claras e transparentes sobre como tratarão o conteúdo e as contas relacionadas ao grupo islâmico radical, que agora atuam como governantes políticos do país.

O TikTok, por exemplo, sempre baniu integrantes do Taleban, e garantiu que a proibição continuará do jeito que está. O Facebook, por sua vez, disse à CNBC que tem uma “equipe dedicada de moderadores de conteúdo” que se concentra na remoção de posts relacionados ao grupo extremista. Há tempos ele aparece como “Indivíduos e Organizações Perigosas” do Facebook, que classifica o Taleban como um grupo terrorista.

O Twitter ainda não anunciou uma proibição geral e não parece muito interessado em fazê-la. Na verdade, não é muito difícil encontrar relatos frequentes de supostos membros do Taleban na rede social — alguns chegaram a tuitar em tempo real a tomada da capital Cabul. Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taleban, tem aproximadamente 306 mil seguidores e tweetou pela última vez no dia 17 de agosto de 2021, conforme destacou o Washington Examiner.

“A situação no Afeganistão está evoluindo rapidamente. Também estamos testemunhando pessoas no país usando o Twitter para buscar ajuda e assistência. A principal prioridade do Twitter é manter as pessoas seguras e permanecemos vigilantes”, disse um porta-voz do Twitter à CNBC.

WhatsApp e YouTube não bloqueiam extremistas automaticamente

Em contrapartida, o WhatsApp, que é de propriedade do Facebook, recebeu críticas após relatos de que membros do Taleban foram flagrados usando a plataforma para se comunicar e coordenar atividades no Afeganistão. Segundo o jornal Washington Post, o mensageiro, que usa criptografia de ponta-a-ponta, tem sido utilizado pelos extremistas para notificar a população local de Cabul, capital do Afeganistão, que a cidade agora pertence ao Taleban.

Mesmo sob essa acusação de não frear o uso do aplicativo entre integrantes do Taleban, o WhatsApp declarou que não permite que os extremistas usem o serviço. Posteriormente, companhia anunciou ter fechado um “canal de ajuda” criado pelo grupo, logo depois que Cabul foi tomada. Questionada pelo Motherboard sobre por que ainda não havia banido os membros do Taleban, a empresa respondeu que, “como um serviço de mensagens privadas, não temos acesso ao conteúdo dos bate-papos pessoais das pessoas. Contudo, se tomarmos conhecimento de que um indivíduo ou organização [terrorista] pode estar presente no WhatsApp, tomaremos medidas”.

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Outras empresas também estão sendo criticadas por não banir ou bloquear automaticamente o uso de suas plataformas pelo Taleban. É o caso do YouTube, de propriedade do Google, que inicialmente se recusou a confirmar. Se vai mesmo banir o Taleban de sua plataforma.

Em entrevista à agência Reuters, o YouTube disse que garante o banimento de contas com base em suas políticas sobre organizações terroristas estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês). Só que o Taleban não é classificado pelo Departamento de Estado dos EUA como uma FTO, mas sim um como um grupo “Terrorista Global Especialmente Designado”. O YouTube também alegou que iria banir contas que acredita serem de propriedade de membros do Taleban.