O Twitter, que no passado resistiu bastante a desativar contas devido a questões de liberdade de expressão, parece estar mudando de ideia. Grupos de vigilância dizem que a rede social está sendo incrivelmente rápida na remoção de material extremista após os ataques em Nice, na França, na semana passada.

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Essa é uma mudança nas ações da rede social após ataques terroristas parecidos em Paris e Bruxelas. O Twitter – assim como Facebook, Google e basicamente todas as redes sociais ocidentais – sempre disseram que não toleram comentários extremistas, mas a reação após ataques terroristas nunca foi muito rápida.

Após o ataque de um caminhão em Nice, que matou cerca de 80 pessoas, mais ou menos 50 contas usaram a hashtag Nice (em árabe) para louvar o evento e compartilhar imagens explícitas, de acordo com o grupo de vigilância Counter Extremism Project. O grupo escreveu em um comunicado que o Twitter “se movimentou com uma rapidez que não vimos no passado para apagar tweets favoráveis ao ataque em questão de minutos,” e que esa foi “a primeira vez que o Twitter reagiu com tamanha eficiência.”

Essa “rapidez” vem depois de muitas críticas que foram feitas em relação ao papel das mídias sociais no crescimento do extremismo. Um pai de uma vítima dos ataques de Paris processou vários sites de mídias sociais, incluindo o Twitter, por “intencionalmente” permitir que o Estado Islâmico recrutasse pessoas através das suas plataformas. Uma ação judicial semelhante foi feita pela esposa de um homem morto na Jordânia. É improvável que essas ações deem algum resultado, mas elas mostram o desejo de culpar os sites por dar base a ataques terroristas.

De fato, grupos extremistas usam muito bem as redes sociais para o recrutamento de pessoas para as causas que eles defendem, mas há indícios de que o apoio a esses grupos nessas plataformas caiu bastante nos últimos anos. Será que simplesmente impedir que mensagens sejam propagadas por essas redes é o suficiente para barrar o crescimento desses grupos e, talvez, evitar novos ataques terroristas no futuro, ou há muito mais a ser feito além disso?

[Reuters]