A invasão ao Capitólio, o Congresso dos EUA, na semana passada continua gerando consequências em diversas empresas de tecnologia. Redes sociais baniram perfis que incitaram violência, entre eles o do presidente Donald Trump; lojas de aplicativos excluíram ferramentas que poderiam ser usadas por terroristas, como o que aconteceu com o Parler. E outras plataformas já sentem os efeitos dessa debandada de extremistas. Esse é o caso do Telegram.

Em entrevista à CNN na última quarta-feira (13), a companhia disse estar tomando atitudes mais rígidas para diminuir o número de contas e grupos que fazem apologia à violência no serviço. Desde o atentado ao Capitólio, o serviço viu o número de usuários saltar em níveis elevados, mas a grande maioria de novos membros é composta por pessoas que vieram de plataformas como o Parler, conhecido principalmente por não moderar conteúdos racistas, preconceituosos e de extrema direita.

Por conta desse movimento, o Telegram afirmou ter banido “dezenas” de grupos públicos que divulgavam mensagens incitando publicamente ao uso de violência. Canais de supremacia branca, ódio e outros extremismos também foram fechados, mas a luta do Telegram parece não estar surtindo muito efeito, uma vez que os grupos ressurgem pouco tempo depois. Um dos grupos analisados pela CNN tinha mais de 10.000 membros.

“Nossos moderadores estão analisando um número crescente de relatórios relacionados a postagens públicas com chamadas à violência, que são expressamente proibidas por nossos Termos de Serviço”, disse Remi Vaughn, porta-voz do Telegram. “Usamos uma abordagem consistente para protestos e debates políticos em todo o mundo – do Irã e Bielo-Rússia à Tailândia e Hong Kong. Aceitamos discussões pacíficas e protestos pacíficos, mas rotineiramente removemos conteúdo publicamente disponível que contenha apelos diretos à violência”, completou.

Na terça-feira passada (12), o Telegram anunciou ter ganhado 25 milhões de novos usuários em apenas três dias, sendo que, desse total, 750 mil inscrições foram apenas nos Estados Unidos. Também na terça, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ter aderido à rede social – embora a conta oficial do politico tenha sido criada em 9 de janeiro.

Além dos banimentos em outras plataformas sociais, parte dessa migração para o Telegram também pode estar relacionada após o WhatsApp atualizar sua política de privacidade que, entre as novidades, agora deixa destacado que o mensageiro pode compartilhar dados dos usuários com o Facebook, que é dono do aplicativo. Isso já acontecia desde 2016, mas a diferença é que essa informação passou a ficar explicitamente visível para os inscritos no serviço.

[CNN]