Taylor Swift é conhecida por comandar várias decisões de negócios sobre suas músicas — incluindo aí um histórico de brigas com o Spotify e demais serviços de streaming. A mais nova da cantora não envolve diretamente o serviço, mas sim a participação de sua gravadora nas ações da empresa. Uma cláusula no contrato da artista com a Republic Records, selo da Universal Music Group, determina que, se a UMG vender suas ações do Spotify, o dinheiro deve ser repassado aos artistas da empresa, sem que isso influencie pagamentos que já tenham sido antecipados.

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O Engadget dá um pouco de contexto à situação. Recentemente, Sony e Warner Brothers venderam uma parte de suas participações no Spotify. A Sony abriu mão de metade de sua fatia de 5,7% da empresa por US$ 768 milhões. Já a Warner vendeu três quartos de sua fatia de 5% por US$ 504 milhões.

Quando um artista ou uma banda recebe um adiantamento da gravadora, esse dinheiro tem como estimativa o que ele receberia de royalties pelo primeiro ano de vendas. Então, até que seu disco atinja esse valor, ele não recebe mais nenhum pagamento de direitos. Isso é chamado de “unrecouped balance”, algo como “saldo não recuperável”, em tradução livre. Para a gravadora, é uma dívida que o artista tem com ela.

Voltemos às vendas de ações. Tanto a Sony quanto a Warner distribuíram dinheiro dessas operações para seus artistas. Só que a Sony deu o dinheiro diretamente a eles, enquanto a Warner usou a quantia para quitar os débitos do tal “saldo não recuperável”. Ou seja, os artistas da Sony acabaram com mais grana na conta — e é isso que Taylor colocou em seu contrato com a UMG.

Em um post em seu Tumblr, a cantora diz que pediu a UMG que qualquer venda de participações no Spotify resultasse em uma distribuição de dinheiro aos artistas, não recuperável. Taylor conta que eles “generosamente concordaram” com o pedido. “Eu vejo isso com um sinal de que estamos caminhando em direção a uma mudança positiva para criadores — um meta que eu nunca vou parar de tentar alcançar de todas as maneiras que eu puder.”

Não é a primeira vez que Taylor Swift usa sua grande influência na indústria musical para negociar e conseguir mudanças. Em 2014, por exemplo, ela tirou todos os seus discos do Spotify por estar recebendo valores baixos demais. No começo deste ano, suas músicas voltaram ao streaming.

Como o Engadget comenta, a medida também serve muito bem como um golpe de marketing para Taylor Swift. Depois de alguns atritos com outras celebridades do mundo da música, a medida beneficia a classe como um todo — incluindo seus desafetos.

[Engadget]