Quando o foguete Antares explodiu segundos após o lançamento no começo da semana, a NASA conseguiu avisar todos os seus funcionários do fracasso em pouco tempo graças a um protocolo muito bem praticado. O caso de Antares nos dá uma ideia dos processos que determinam cada lançamento de foguete, e um deles é particularmente surpreendente.

Em uma coletiva de imprensa realizada logo após a explosão, descobrimos que Antares começou a se comportar “erraticamente” alguns segundos antes do lançamento, e a equipe responsável por monitorar o foguete iniciou algo chamado sistema de terminação de voo – que essencialmente impediu o lançamento do foguete antes que ele pudesse subir alto demais e causar danos devido aos seus problemas. Mas quem tomou essa decisão, e em quanto tempo ela foi tomada?

É uma história fascinante relatada pela National Geographic. Brad Scriber, o autor do artigo, assistiu ao lançamento fracassado de Antares pessoalmente na Ilha Wallops. Em lançamentos, dois funcionários realizam um papel importante e perigoso – em vez de se protegerem com o resto da equipe, eles observam os primeiros segundos após a subida do foguete cuidadosamente posicionados em armações de madeira e arame.

Por que? Porque nessa situação, os radares são imprecisos demais para monitorar a posição do foguete – e a visão humana é muito mais confiável. Scriber escreveu:

Nos primeiros segundos após um lançamento, quando o foguete está próximo do chão, há muita interferência de árvores e estruturas próximas para radares e outros sistemas de monitoramento conseguirem medir com precisão. Então observadores assistem ao lançamento a partir de uma armação de madeira munidos de fios de guia. Se o foguete cruzar por trás de um fio, eles sabem que está saindo da rota e enviam um alarme aos agentes dizendo para abortar a missão. Em seguida, eles procuram abrigo.

De acordo com um artigo de 2008 da Popular Mechanics sobre esses funcionários, eles são responsáveis por equipar a chamada Terminação de Lançamentos para os dois primeiros minutos de um voo. “Se algo acontecer nesse momento, temos apenas alguns segundos para reagir”, explicou um comandante de nave da NASA à revista.

É fascinante saber que a visão desempenha um enorme papel em uma das maiores realizações tecnológicas da humanidade. Afinal, erros humanos foram responsáveis por ao menos um desastre de lançamento de foguete, conhecido como O hífen mais caro da história, quando um único hífen em um código de lançamento fez um foguete de US$ 60 milhões explodir em 1962. Mas parece que, no fim das contas, ainda podemos confiar nos nossos olhos. [National Geographic]

Foto: AP Photo/NASA, Joel Kowsky