Uma estrela escurecida localizada a 1.500 anos-luz da Terra causou grande comoção dentro da comunidade científica, e alguns chegaram a especular que ela poderia ser algum tipo de megaestrutura alienígena. Uma nova análise de dados infravermelhos, no entanto, sugere uma explicação mais natural.

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Para lembrar, a estrela KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Tabby, está exibindo um comportamento de cintilação sem precedentes. Normalmente, astrônomos observam mudanças no brilho quando um planeta passa temporariamente em frente a uma estrela. Essa escurecida tende a ser pequena (apenas alguns pontos porcentuais, mesmo para gigantes gasosos como Júpiter), e periódicos (o que sugere um planeta em órbita estável).

Mas a estrela de Tabby é diferente. Muito diferente. Às vezes, seu brilho cai surpreendentes 22%. Além disso, o brilho muda irregularmente, às vezes durante dias – ou até meses. Cientistas nunca observaram nada assim antes, o que levou a uma série de especulações bizarras.

Por exemplo, o escurecimento aperiódico pode ser produto de uma colisão catastrófica no cinturão de asteroides da estrela, ou resultado de um impacto gigante em algum planeta próximo. Ou pode ser só uma nuvem de poeira de rochas e detritos. Também é possível que seja só uma estrela distorcida. E como o astrônomo de Penn State Jason Wright e seus colegas especularam, pode ser uma megaestrutura alienígena, como uma esfera de Dyson, apesar de que isso é bem improvável.

Em uma tentativa de aprender mais sobre a Estrela de Tabby, o astrônomo Massimo Marengo da Universidade do Estado de Iowa, nos EUA, se juntou a uma equipe para analisar dados adquiridos pela câmera infravermelha a bordo do Telescópio Espacial Spitzer da NASA. Eles concluíram no artigo publicado no The Astrophysical Journal que a destruição de uma família de cometas próximos à estrela é a explicação mais provável para o escurecimento misterioso. Eles explicam:

Marengo diz que o estudo observou duas ondas de luz infravermelha diferentes: a mais curta era consistente com a de uma estrela típica, e a maior mostrava algumas emissões infravermelhas, mas não o suficiente para atingir um limiar de detecção. Os astrônomos concluíram que não havia emissões infravermelhas em excesso e, assim, nenhum sinal de colisão no cinturão de asteroides, nem de impacto gigante em um planeta ou uma nuvem de poeira de rochas e detritos.

A NASA descreveu a descoberta da seguinte forma:

É possível que uma família de cometas esteja viajando em uma órbita bem longa e excêntrica ao redor de uma estrela. Entre eles deve haver um cometa bem grande, que bloqueou a luz da estrela em 2011, como notado pelo Kepler. Depois, em 2013, o resto da família de cometas que viajava atrás daquele primeiro em fragmentos menores, passou em frente à estrela e novamente bloqueou sua luz.

Quando questionado sobre a teoria da megaestrutura alienígena, Marengo disse que:

Não estávamos atrás disso. Não podemos dizer se é ou se não é, mas o que a estrela faz é muito estranho. É interessante quando temos fenômenos assim – normalmente significa que há alguma nova explicação física ou um novo conceito a ser descoberto.

No Centauri Dreams, Paul Gilster diz que o estudo é fascinante, mas não é definitivo sobre o tema. Os dados ainda estão incompletos, escreveu Gilster, e a conclusão de Marengo invoca um novo fenômeno astronômico completamente novo.

A explicação do cometa seria marcante se confirmada porque não há nenhum outro exemplo de eventos transitórios como esse, e só conseguimos descobrir esses cometas ao olhar para eles no momento certo da sua suposta órbita excêntrica e longa ao redor da estrela.

Então apesar de manchetes como Estrela Estranha Provavelmente Repleta de Cometas, eu acho que deveríamos adotar uma postura mais cética. Estamos lidando com uma estrela curiosa cuja mudança no fluxo ainda não conseguimos entender, e temos teorias candidatas a explicá-la. Não estamos prontos para declarar que cometas são a causa dessas anomalias assim como não podemos confirmar que sejam estruturas alienígenas. Neste ponto devemos deixar as causas naturais e artificiais misturadas e reconhecer que demorará até termos uma solução que envolva bastante análise.

O mistério não será resolvido tão cedo, pelo que parece. [NASAIowa State University]