O Afeganistão foi atingido na manhã desta quarta-feira (22) pelo maior terremoto já visto nas últimas duas décadas. O fenômeno de magnitude 5,9 deixou ao menos 1.000 mortos e 1.500 feridos. Os tremores foram originados a 45 quilômetros de Khost, no sudeste do país.

Segundo o Centro Sismológico Europeu-Mediterrâneo (EMSC), o tremor foi sentido por cerca de 119 milhões de pessoas no Paquistão, Afeganistão e Índia. A última vez que o país enfrentou um evento tão destrutivo foi em março de 2002, com a ocorrência dos terremotos gêmeos Hindu Kush. Na época, 1.100 pessoas morreram.

Os terremotos não são nada raros no Afeganistão. Em 2015, por exemplo, o país foi atingido por um fenômeno de magnitude 7,5, que matou 399 pessoas. Outro terremoto registrado em 1998, de magnitude 6,6, causou a morte de 4.700 afegãos. Também em 1998, um abalo tirou mais de 2.300 vidas. Em 1997 e 1991, terremotos também mataram centenas de pessoas.

Mas o que, afinal, explica esse número de abalos?

A posição do país no mapa justifica a frequência de desastres. O Afeganistão se encontra acima da placa tectônica eurasiana, em constante choque com a placa tectônica indiana. A movimentação da dupla acaba gerando os abalos sísmicos.

Além disso, há diversas falhas geológicas no país, como a falha de Chaman, a falha de Hari Rud, a falha de Badakhshan Central e a falha de Darvaz. Essas falhas nada mais são do que fraturas nos blocos rochosos que cobrem a superfície terrestre. As porções de terra acabam sofrendo atrito, acumulando energia e liberando na forma de terremoto. 

Os afegãos que vivem em áreas montanhosas correm ainda mais riscos. Pessoas vulneráveis acabam construindo suas casas nas encostas, sem nenhum tipo de planejamento urbano. Quando fenômenos naturais ocorrem, as residências acabam sendo alvo de deslizamentos de terra. 

Terremotos passados e anos de guerra também contribuem para o maior número de mortos, já que a infraestrutura local acaba sendo precária. Nesta manhã, o governo do Afeganistão falou em risco de desastre humanitário e solicitou assistência imediata de outras nações e órgãos internacionais.