por Daniel Junqueira

Muitos sites do Brasil e do mundo publicaram notas nesses dias sobre uma suposta comunicação de terroristas através do PlayStation 4 para planejar os ataques em Paris, mas a história não é bem assim – tudo começou com um artigo publicado com um erro.

O artigo em questão saiu na Forbes com o título “Como os terroristas do Estado Islâmico em Paris podem ter usado o PlayStation 4 para discutir e planejar ataques”. O título já é especulativo por si só – o problema é que ele especulava a partir de uma informação errada:

A caça pelos responsáveis (oito terroristas foram mortos na noite de sábado, mas ainda pode haver cúmplices soltos) levou a uma série de operações próximo a Bruxelas. Evidências que surgiram incluem ao menos um console PlayStation 4.

O ministro de assuntos internos da Bélgica, Jan Jambon, disse abertamente que o PS4 é usado por agentes do Estado Islâmico para se comunicar, e foi escolhido por ser difícil de monitorar. “O PlayStation 4 é ainda mais difícil de se monitorar do que o WhatsApp,” disse.

De fato, o ministro belga disse isso – mas ele não se referia aos ataques terroristas em Paris. Ele falava sobre problemas de segurança na Bélgica para o Politico em um evento na terça-feira, três dias antes dos ataques.

Além disso, o tal PlayStation 4 encontrado durante as operações policiais em Bruxelas não existe: foi um erro do jornalista Paul Tassi, da Forbes, que reconheceu o erro ao Kotaku – a informação sobre o PS4 apreendido não está mais no texto. Tassi reconheceu que não há nada ligando a comunicação do Estado Islâmico com o PlayStation 4, e que a ideia do seu artigo era mais de discutir a possibilidade desses grupos usarem essas ferramentas para comunicação.

Portanto, toda a especulação começou por causa de uma declaração dada dias antes dos ataques, e apoiada por um PS4 supostamente encontrado com terroristas… mas que na verdade não existe. [Kotaku]