Walter Huang conduzia seu Model X, utilitário esportivo da Tesla, em 23 de março, em uma estrada em Mountain View, na Califórnia, quando se envolveu em um acidente fatal ao colidir com uma divisória de concreto. A Tesla admitiu que o modo semiautônomo do carro estava ligado, mas, nesta quarta-feira (11), emitiu um comunicado jogando a culpa pelo acidente no motorista, que, segundo a empresa, não estava com suas mãos no volante.

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Conforme noticia a CNBC, a família de Huang busca ações legais contra a Tesla, alegando que o piloto automático do carro apresentou defeitos. A firma de advocacia contratada pela família Huang, Minami Tamaki, citou outros incidentes supostamente envolvendo erros do piloto automático e sugeriu que o sistema semiautônomo do carro da Tesla apresentou defeitos:

“A (nossa) investigação preliminar indica que o sistema de navegação da Tesla pode ter interpretado errado as linhas da pista na estrada, não detectado a divisória de concreto, não conseguiu frear o carro e levou o carro até a divisória, pronunciou-se a Minami Tamaki, em comunicado reproduzido pela CNBC.

Este foi o terceiro caso de acidente com um carro da Tesla no modo de piloto automático que acabou em morte. Em janeiro de 2016, Gao Yaning sofreu um acidente fatal na China enquanto dirigia seu Tesla Model S, e a família, que ainda luta nos tribunais contra a empresa, afirma que o piloto automático esteve envolvido. Um pouco mais tarde, em maio de 2016, Joshua Brown se envolveu em um acidente também fatal com seu Model S, mas a NHTSA (Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos EUA) determinou que o piloto automático não havia apresentado defeito.

Em comunicado reproduzido pela Bloomberg, a Tesla demonstrou sua lamentação pela fatalidade, mas reforçou sua posição de que não teve culpa no acidente.

“Sentimos muito pela perda da família.

De acordo com a família, o sr. Huang estava bastante ciente de que o piloto automático não era perfeito e, especificamente, lhes disse que não era confiável naquela localização exata. Ainda assim, ele ligou o piloto automático naquela localização. O acidente aconteceu em um dia claro, com vários metros de visibilidade à frente, o que significa que a única maneira desse acidente ter acontecido é se o sr. Huang não estivesse prestando atenção na estrada, apesar do carro fornecer vários avisos para que ele prestasse.

A premissa fundamental da responsabilidade tanto moral quanto legal é uma promessa quebrada, e nenhuma promessa foi quebrada aqui. A Tesla é extremamente claro ao dizer que o piloto automático exige que o motorista esteja alerta e com as mãos no volante. Esse lembrete é feito todas as vezes que o piloto automático é ligado. Se o sistema detecta que as mãos não estão no volante, ele oferece alertas visuais e auditivos. Isso aconteceu várias vezes durante a condução do sr. Huang naquele dia.

Temos empatia com a família do sr. Huang, que, compreensivelmente, está enfrentando uma perda e um luto, mas a falsa impressão de que o piloto automático é inseguro fará mal a outras pessoas na estrada. A NHTSA descobriu que mesmo a versão inicial do Tesla Autopilot resultava em 40% menos acidentes, e ele melhorou significativamente desde então. A razão pela qual outras famílias não estão na TV é que seus entes queridos ainda estão vivos.”

Enquanto isso, a NTSB, organização americana que investiga acidentes ligados a transporte, desde o dia 27 de março, segue conduzindo suas investigações para determinar o verdadeiro culpado pelo acidente.

[Jalopnik]

Imagem do topo: Captura de tela do canal ABC News 7