O Facebook anunciou esta semana que o Messenger ganhou chatbots. Você só pode interagir com alguns, e encontrá-los não é tão fácil quanto deveria. Após localizar e testar alguns deles, eu percebi como é complicado conversar com estes robôs-assistentes.

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O problema é que a maioria dos chatbots no Messenger conversam de maneira estranha, pontuada por momentos frustrantes de silêncio. Eu passei mais tempo tentando adivinhar os comandos que esses bots podiam entender do que realmente falando com eles.

Mark Zuckerberg e outros prometeram conversas elaboradas com um software sofisticado por trás. Em vez disso, descobri que meus chats estavam limitados por perguntas pré-determinadas.

Pedindo informações

Os bots do Messenger basicamente se dividem em duas categorias: aqueles que trazem informações, e aqueles que permitem fazer compras.

Tome como exemplo o Hi Poncho, um gato que informa a previsão do tempo. Ele é interessante por ser o único chatbot neste lote inicial que pelo menos tenta ter uma personalidade. Ele é uma graça, mas se o objetivo é substituir o seu app de previsão do tempo com um chatbot, o Poncho nem chega perto.

Eu mudei algumas configurações para dar ao Hi Poncho minha localização, detalhes das minhas alergias, além de permiti-lo enviar previsões do tempo diariamente. O bot me disse que faz 8°C em Brooklyn… e então as coisas começaram a degringolar. Não há previsão do tempo para este fim de semana, aparentemente:

chatbots faceboook messenger (2)

O Poncho funciona com uma frase específica: “Preciso de [item]?” Como você pode ver nas imagens acima, eu tentei me referir a frases anteriores do chat – como uma conversa normal – mas isso não funcionou. Cada conversa com o Poncho existe num vácuo, e fica presa em um vai-e-vem robótico, mesmo que o bot tente disfarçar isso com GIFs engraçados e referências de cultura pop.

Sam Mendel, CEO da Poncho, diz que encontrou problemas imprevistos em menos de 24 horas após o lançamento do bot. E ele concorda que o Poncho tem muitas habilidades de linguagem para aprender. “Nós precisamos adicionar processamento de linguagem mais natural, e é nisso que estamos trabalhando agora”, disse Mendel ao Gizmodo. “Afinal, a tolerância para um bot medíocre é muito menor do que para um app medíocre.”

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Isso não quer dizer que chatbots meteorológicos estão condenados para sempre. O Kik, que abriu uma loja de bots na semana passada, estreou com um bot do Weather Channel. Embora não tenha uma personalidade, ele oferece ótimos atalhos para coisas como previsões de múltiplos dias. Ele funciona, e funciona bem.

Mas, mesmo com todos os seus sucessos, em comparação com apps excelentes como o Dark Sky, ele não chega nem perto de fornecer o mesmo nível de informação. Bots de notícias, como CNN e Wall Street Journal, têm o mesmo problema, oferecendo apenas uma pequena fração de todo o conteúdo que está disponível no app.

Comprando com bots

Os bots que trazem informações são atualmente uma bagunça. E quanto aos bots de comércio? Este foi um dos destaques na apresentação de Zuckerberg, dizendo o quanto ele odeia ligar para empresas ou serviços ao cliente (o que duvido que ele faça, mas enfim). Eu usei o 1-800-Flowers para descobrir como uma compra via mensagens de texto poderia funcionar.

De forma semelhante aos bots de notícias, o bot do 1-800-Flowers oferece apenas meia dúzia de escolhas para arranjos florais, enquanto o site mostra muito mais. Ao gastar dinheiro em algo, você deve obter exatamente o que quer, não uma lista selecionada de apenas seis opções.

Mesmo depois de passar por todo o processo de compra, você ainda é deixado sem esclarecimentos no Messenger. A compra foi finalizada? O bot não avisa. Eu recebi um e-mail de confirmação cinco horas depois, mas nessa altura, eu já tinha verificado meus extratos bancários on-line para ver se o pedido foi realizado.

Isso não é o futuro da compra.

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Na semana passada, quando eu perguntei a desenvolvedores sobre o esforço de chatbots do Facebook, a maioria deles disse a mesma coisa: a linguagem humana é complicada de se decifrar. Ben Brown, um desenvolvedor que cria bots para o Slack e que fez uma plataforma para criar bots, destaca a complexidade quase interminável de fazer robôs conversarem. “Se as pessoas acham que estão falando com outra pessoa, elas ficam mais propensas a serem casuais ou naturais”, diz Brown. “Isso torna dramaticamente mais difícil o problema de receber essa informação.”

Imagino que a maioria das pessoas provavelmente vai experimentar esses bots e decidir que não valem a pena o aborrecimento. Os chatbots me deixaram com a mesma impressão de que é mais fácil obter a previsão do tempo ou enviar flores da maneira “antiga”, com apps. Eles vão melhorar, é claro, mas isso deve demorar.