Sem anúncios pomposos como o de lançamento americano, o Tidal, serviço de streaming do rapper Jay-Z, já mostra algumas páginas em português e preços em reais no site oficial — o serviço, no entanto, ainda não está em funcionamento no país.

A mensalidade do Tidal no Brasil, assim como em outros países em que o serviço já funciona, é oferecida em duas categorias:

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  • Tidal Premium: streaming padrão, acesso total a biblioteca de mais de 30 milhões de músicas e playlists com curadoria especializada por R$ 14,90.
  • Tidal HiFi: streaming de alta qualidade com a tecnologia lossless, que permite uma qualidade de som maior; acesso a biblioteca de mais de 30 milhões de músicas e playlists com curadoria especializada por R$ 30.

Os mesmos pacotes são vendidos nos EUA por US$ 10 e US$ 20, respectivamente. É possível testar as duas categorias gratuitamente por 30 dias, mas parece que o serviço ainda não foi ativado no Brasil — ao tentar se cadastrar, o usuário é transferido automaticamente para a página americana do serviço e, oficialmente, o Brasil ainda não faz parte da lista de países que já possuem acesso ao Tidal.

A qualidade de streaming do serviço atinge 1.411 Kbps, uma qualidade de som que se iguala a de CDs. Para se ter ideia, serviços concorrentes, como Spotify ou Rdio, oferecem músicas com no máximo 320 Kbps — o que pode não fazer muita diferença para todos os ouvidos, sem contar a necessidade de fones ou alto-falantes bons (e caros) para aproveitar ao máximo a alta qualidade sonora oferecida pelo streaming de Jay-Z. Um teste compara as duas qualidades em uma mesma música e você pode fazê-lo aqui.

>>> Você consegue notar a diferença do som em arquivos de alta qualidade? Teste seus ouvidos.

A página de perguntas frequentes do Tidal também foi traduzida para o português e nela é explicado que o serviço aceitará pagamentos com os cartões VISA, MasterCard, American Express e com PayPal — sem muitos detalhes; não especifica se o cartão precisa ser brasileiro ou americano, por exemplo.

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Jay-Z adquiriu o Tidal em janeiro por US$ 56 milhões de dólares e o relançou no mercado em março, com o apoio de grandes celebridades musicais, como Madonna, Alicia Keys, Jack White, Daft Punk, Beyoncé e Rihanna.

O rapper descreveu o serviço como “a mais revolucionária plataforma de música e entretenimento já feita”, um lugar onde artistas e fãs andam juntos, dando de volta o poder criativo e a tecnologia para desenvolver músicas para os músicos — supostamente, os artistas recebem mais por música tocada do que nos serviços concorrentes. O problema é que ninguém parece se importar com isso: um mês após o lançamento, o app do Tidal para iOS estava em 644º lugar na lista de aplicativos mais baixados, segundo informações do Slate. No mesmo período, o app do Spotify estava em 17º.

O Tidal tinha apenas 17 mil assinantes no lançamento, em março. O Spotify, por sua vez, já ultrapassou os 20 milhões, e o mercado brasileiro é o terceiro que mais cresce no mundo, de acordo com Gustavo Diament, diretor da empresa para a América Latina.

Além disso, dia 30 teremos mais um competidor neste crescente mercado de streaming: o Apple Music, que oferecerá uma biblioteca com 30 milhões de músicas por US$ 10 e um pacote familiar para até seis pessoas por apenas US$ 15 — o único pacote familiar entre todos os serviços de streaming no mercado. Um serviço novo e diferente, que talvez valha a pena para a grande maioria, ao contrário das músicas em alta qualidade do Tidal, que são para poucos ouvidos treinados. [Estadão, Slate]