Um Tim Cook sério e misterioso estampa a capa da Bloomberg Businessweek de hoje, e ele tem alguns pensamentos para dividir conosco. Alguns pensamentos que soam como um prólogo para um discurso “meus companheiros americanos”.

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A conversa da editora Megan Murphy com o CEO da Apple não é substancialmente diferente da extensa entrevista que ele deu ao Washington Post no ano passado – parágrafos inteiros de respostas clichê para perguntas bobas poderiam ser facilmente trocadas entre as duas conversas – exceto por uma revelação subtextual: esse cara com certeza quer se candidatar a presidente.

Sobre empregos (todas as ênfases são nossas):

Eu sinto uma responsabilidade como um CEO de uma empresa importante em aumentar os empregos nos Estados Unidos […] em fabricação avançada, haverá muitos empregos. Um exemplo disso claramente é a Corning [empresa que fabrica o Gorilla Glass]. Estamos trabalhando com eles em coisas que possuem inovação americana e criam um bom número de empregos […] A Apple criou dois milhões de empregos nos Estados Unidos.

Sobre educação:

Oferecemos [um currículo de programação] para a escolas do ensino fundamental porque acreditamos que a programação deve ser uma língua obrigatória assim como o inglês é […] preparamos um currículo do Swift direcionado a eles [estudantes de faculdades comunitárias] e fomos para as faculdades comunitárias ao redor dos Estados Unidos. Escolhemos uma meia dúzia nas quais tínhamos relações pré-existentes para trabalhar e receber um retorno. Estamos oferecendo isso de graça […] Também temos o maior número de desenvolvedores estudantes. Faz bem para o seu coração sentar com todos esses caras. Eles são idealistas. Eles querem aprendem. Não existe cinismo. Podemos mudar a diversidade fazendo isso. Podemos começar a ajudar pessoas que foram deixadas para trás com o ressurgimento da tecnologia.

Sobre repatriação de riquezas:

Essa não é a visão paroquial do que é melhor para a Apple. Essa é a visão do que é bom para a América. Eu sugeri uma porcentagem razoável. Eu exigiria […] Você será cobrado, e você pode decidir se deseja trazer esse dinheiro de volta ou não. Mas você está sendo cobrado.

Sobre comércio global:

Acho que é inteligente para os Estados Unidos ter algum tipo de receita tributária para ganhos internacionais – se esse imposto fosse justo. Porque será o pequeno empresário da esquina que será afetado. Eles verão uma oportunidade de vender suas mercadorias ao redor do mundo – e vale alguma coisa morar nesse país. E eu daria um crédito para os impostos que você paga internacionalmente.

Sobre veteranos de guerras:

O Departamento para Veteranos tem tido problemas em oferecer cuidados médicos para os veteranos. Temos uma experiência em algumas das coisas básicas com as quais estão sofrendo. Então vamos trabalhar com eles. Eu poderia não dar a mínima sobre as políticas disso. Eu quero ajudar veteranos. Meu pai é um veterano. Meu irmão serviu ao exército. E temos tantos militares na Apple. Essas pessoas merecem cuidados de saúde excelentes.

Sobre o ethos da Apple:

É como a Constituição, que é a diretriz para os Estados Unidos.

Você pode perguntar: como poderia Tim Cook esperar influenciar o comércio, saúde, educação e política econômica dos EUA? A resposta óbvia é que ele pode concorrer como o primeiro candidato do Partido Tecnocrata Americano que está para ser fundado em breve. Ele tem sua plataforma pronta, recheada de pequenas anedotas sinceras o suficiente e uma piscadela ocasional de arrependimento sobre papel inegável de sua indústria no aprofundamento da desigualdade de riqueza global.

A batalha entre Tim Cook e Mark Zuckerberg deve começar na política, nas primarias de 2020.

Imagem do topo: AP