O Uber ficou a frente da competição por usar práticas desonestas – como espionar indivíduos. Mas o novo chefe jurídico da companhia tem uma mensagem aos funcionários que talvez continuem a vigilância para manter a empresa a frente dos competidores: “Pare agora”.

O novo executivo, Tony West, que acabou de preencher um dos cargos de liderança vagos na empresa, enviou um email para a equipe de segurança do Uber pedindo que eles garantam que não estão mais espionando indivíduos, de acordo com um email obtivo pelo Recode. O Uber confirmou ao Gizmodo que o email foi enviado por West. No memorando (destacado parcialmente abaixo), West diz acreditar que os funcionários do Uber não fazem mais esta prática.

“Dara [Khosrowshahi, novo CEO do Uber] e eu ainda estamos aprendendo os detalhes sobre a extensão destas operações e quem era responsável por sua direção, mas vale ressaltar que não há lugar para tais praticas ou este tipo de comportamento no Uber”, escreveu West em um email, que foi obtido pelo Recode. “Não precisamos seguir indivíduos para ganhar algum tipo de vantagem competitiva”.

“Meu entendimento é que este tipo de comportamento não ocorre mais no Uber; que isso é algo do passado”, ele continua. “E nos últimos dias não descobri nada que sugira o contrário. Mas, sendo bastante claro, qualquer pessoa que esteja trabalhando em qualquer projeto de inteligência competitiva que envolva vigiar indivíduos, pare agora”.

Dois executivos do Uber – Mat Henley e Nick Gicinto – testemunharam esta semana que a companhia vigiou seus competidores. Henley revelou ter pedido a funcionários que coletassem informações sobre as rotas feitas pelo carro autônomo de uma empresa rival. Gicinto afirmou ter recebido uma gravação de funcionários de uma companhia competidora localizada no exterior.

Os e-mails de West apontam que a companhia não está apenas tentando limpar a própria imagem, mas também tenta garantir que suas práticas internas são íntegras.

Além dos casos de vigilância, o Uber vem sofrendo críticas por práticas incompetentes de segurança. Foi revelado no fim de novembro que a companhia de caronas escondeu um vazamento de dados ocorrido em 2016, um que afetou 57 milhões de contas. A companhia pagou US$ 100 mil para que os hackers não divulgassem nada sobre a falha.