O Uber está perdendo dinheiro bem mais rápido que outras empresas de tecnologia, em grande parte devido a um componente essencial para suas operações: os motoristas.

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Segundo a Bloomberg, o Uber teve prejuízo de US$ 1,27 bilhão no primeiro semestre deste ano. Em comparação, a Amazon sofreu perdas de US$ 1,4 bilhão em 2000 durante o maior prejuízo de sua história. O CEO Jeff Bezos demitiu 15% da força de trabalho por causa disso.

O Uber está claramente seguindo a velha estratégia “crescer primeiro, ganhar dinheiro mais tarde” do Vale do Silício, por isso é esperado que seus custos tenham aumentado à medida que suas operações se expandiram para novas cidades.

É surpreendente, no entanto, que o maior custo para a empresa é a taxa paga aos motoristas. De acordo com a Bloomberg, isso respondeu pela maior parte dos gastos – e do prejuízo – no primeiro semestre de 2016. Ou seja, os 20% a 30% de cada corrida que ficam com o Uber não cobrem os custos de manter o serviço (infraestrutura na nuvem, divulgação etc.).

Este mesmo fato é mostrado em documentos vazados pelo site The Information neste ano. O Uber pagou US$ 2,72 bilhões para motoristas no primeiro semestre de 2015. Em comparação, a empresa gastou apenas US$ 72 milhões em promoções e reduções de preço durante o mesmo período.

O Uber vem tentando desesperadamente (e silenciosamente) mitigar suas perdas com os motoristas. Depois de baixar tarifas na América do Norte para atrair novos clientes, a empresa começou a tomar uma percentagem maior das corridas (até 30%). Foram instituídas garantias temporárias de salário por hora em algumas cidades, mas como o BuzzFeed relatou recentemente, eles ainda tomam cerca de um terço dos parcos rendimentos dos motoristas em vários locais dos EUA.

Uma reportagem recente da Forbes observa que as reservas brutas (valores cobrados pelo app antes da divisão entre motoristas e o Uber) dispararam em 2015. Isso parecia um sinal de que os negócios do Uber estavam indo bem.

“Isso é básico em se tratando de negócios”, disse o Uber em comunicado ao Business Insider no ano passado, após suas finanças privadas vazarem. “Você arrecada dinheiro, investe o dinheiro, cresce (ou pelo menos espera crescer), obtém lucro e gera um retorno para os investidores.”

A parte crítica que o Uber omite é como a empresa vai obter lucro se continuar a perder a maior parte de seu dinheiro para os motoristas. Bem, uma hora ou outra, eles querem se livrar dos parceiros e substituí-los por veículos que dirigem sozinhos.

Este mês, a empresa anunciou que iniciará um teste de carros autônomos no centro de Pittsburgh (EUA), indicando parte de seu plano de negócios de longo prazo. Ela também adquiriu a empresa Otto de veículos autônomos por US$ 300 milhões, mostrando sua vontade de avançar na tecnologia de carros sem motorista.

Resta ver se os custos em manter carros autônomos – combustível, manutenção, centrais de controle, eventuais processos jurídicos – serão realmente menores do que pagar motoristas humanos.

[Bloomberg]

Foto por AP