Mais uma vez, o Uber balançou a bandeira branca em um importante mercado no mundo. Nesta segunda-feira, a empresa vendeu suas atividades no Sudeste Asiático para a concorrente regional Grab, com quem travava forte disputa.

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O acordo significa que a Grab assume as atividades de transporte e entrega de comida em um mercado com 650 milhões de pessoas e uma classe média em expansão. Em troca, o Uber ganhou participação de 27,5% nas ações da Grab. O CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, ainda se junta ao conselho de administração da até então concorrente no mercado do Sudeste Asiático. Os valores da negociação não foram revelados. No entanto, é inegável que o movimento deve ajudar o Uber a controlar suas perdas trimestrais na casa de US$ 1 bilhão registradas no ano passado.

“Estou consciente de que muito do trabalho duro aconteceu antes de eu chegar e quero reconhecer as operações que vocês construíram nesses oito países. Depois de investir US$ 700 milhões na região, mantemos uma participação avaliada em vários bilhões de dólares e propriedade estratégica no que acreditamos que será uma vencedora em uma importante região global”, disse Khosrowshahi, em declaração publicada pela Fast Company.

Esta é a terceira vez que o Uber perde terreno em um mercado importante. Em 2016, também em troca de uma participação, a empresa vendeu suas atividades na China para a concorrente Didi Chuxing (que no Brasil é dona da 99), enquanto em 2017, na Rússia, uma fusão foi anunciada com o grupo Yandex.

Sobre o histórico recente de perda de espaço, Khosrowshahi disse: “Um dos perigos potenciais de nossa estratégia global é que assumimos muitas batalhas em muitas frentes e com concorrentes demais. Essa transação agora nos coloca em uma posição de competir com verdadeiros foco e peso nos mercados centrais em que operamos, enquanto nos dá participações de capital valiosas e crescentes em uma série de mercados grandes e importantes em que não operamos”.

A Grab, por sua vez, se aproveita da negociação para expandir seu negócio de entrega de comida, em fase inicial e, até agora, presente em apenas dois mercados. A oferta de serviços de transporte, por outro lado, é bem mais ampla, incluindo táxis, carros privados, compartilhamento de corridas (como o uberPOOL), bicicletas e táxi bike, em oito países.

Ao fim da negociação, a Grab sai em alta, considerando a posição favorecida em que já se encontrava e o fato de que, até três anos atrás, só oferecia táxis licenciados e ainda fazia a cobrança das corridas em dinheiro.

[TechCrunch, Fast Company]

Imagem do topo: AP