O CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, diz que a empresa planeja colocar os carros autônomos de volta às ruas “dentro dos próximos meses”. A empresa de transporte suspendeu os testes em março depois que um de seus veículos atropelou e matou uma pedestre no Arizona. Acredita-se que o incidente marca a primeira morte humana por causa de um carro autônomo.

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Falando na conferência Uber Elevate, em Los Angeles, nesta quarta-feira (9), Khosrowshahi foi rápido ao apontar que o Uber proativamente cessou seus testes com carros autônomos depois da morte da pedestre, mas não mencionou que o estado do Arizona ordenou que a companhia interrompesse o programa.

“Nós paralisamos nossa frota autônoma, e essa foi uma decisão que tomamos”, disse Khosrowshahi ao repórter Brad Stone, da Bloomberg News, que então perguntou quando o Uber recomeçaria os testes.

“Será nos próximos meses… Eu não sei, será no tempo certo, porque estamos fazendo uma análise completa de segurança, tanto internamente quanto com empresas independentes que irão checar a nossa cultura, as nossas práticas etc”, disse Khosrowshahi.

Khosrowshahi mencionou que o Uber está trabalhando com parceiros governamentais, mas não abordou se a companhia conversou com o estado do Arizona para que pudesse retornar os testes. O vídeo do acidente se espalhou rapidamente na internet, e reportagens indicam que um documento interno do próprio Uber afirma que o software dos sensores conseguiu notar a mulher que foi morta, mas decidiu ignorá-la.

Captura de tela: a mulher, Rafaela Vasquez de 44 anos, que foi morta por um carro autônomo em Tempo, no Arizona, no dia 18 de março de 2018. Crédito: Polícia de Tempe

Stone também perguntou ao CEO do Uber sobre a análise do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão responsável por segurança no trânsito nos EUA, que ainda está em andamento. O Uber interrompeu testes em todas as cidades em que estava experimentando carros autônomos, incluindo Tempe, Pittsburgh, San Francisco e Toronto.

“Não iremos tuitar nada antes dos resultados deles”, disse Khosrowshahi sobre o NTSB, com um sorriso irônico no rosto, fazendo uma provável referência aos tuítes de Elon Musk que criticavam as análises do NTSB que saíram antes do relatório governamental sobre um caso envolvendo um veículo semiautônomo da Tesla.

Khosrowshahi também foi questionado sobre reportagens que apontavam que uma pressão corporativa interna fez com que engenheiros avançassem muito rapidamente numa tentativa de impressionar o CEO e se isso pode ter influenciado no caso do acidente.

“Você não pode sacrificar a segurança. É fácil dizer. Existem trocas na vida, e eu acho que você precisa estar atento a consequências não intencionais em tudo o que você faz”, disse ele.

“E há um equilíbrio. Que é: você quer incentivar as equipes para serem ambiciosas, você quer incentivar as equipes para inovar ao máximo. Você quer que suas equipes fiquem desconfortáveis, mas, ao mesmo tempo, você precisa fazer uma autocrítica e voltar aos princípios e se perguntar: ‘estamos fazendo a coisa certa?’, ‘estamos pegando pesado, e isso está custando a segurança?’, e, se a resposta for ‘sim’, você precisa dar um passo para trás.”

É possível assistir a parte da entrevista no YouTube (em inglês):

[Bloomberg News]

Imagem do topo: No dia 20 de março de 2018 investigadores examinar a SUV autônoma do Uber que matou uma mulher. Crédito: National Transportation Safety Board via AP.