Há mais de 2000 robôs lutando lado a lado com soldados de carne e osso no Afeganistão, de acordo com o tenente-coronel Dave Thompson, do corpo de fuzileiros navais responsável pelos robôs. Se seus cálculos estiverem corretos, isso significa que a cada 50 soldados no Afeganistão, um deles não é humano. E o crescente número de guerreiros robô da América do Norte estão sendo usados em novas e inesperadas maneiras.

Mas tem um pequeno problema: apesar de numerosos, esses robôs que rolam e se arrastam ainda são muito burros. E não há muita esperança que eles fiquem mais espertos logo.

Groundbots foram primeiramente usados nas equipes de desarmamento de bombas. Os peritos em bombas humanos podiam se proteger e conduzir um Talon ou Packbot guiado por controle remoto para desarmar um dispositivo explosivo perigoso. Mas um terço dos 1400 dos novos robôs enviados ao Afeganistão não foram destinados a desarmamento de bombas, Thompsom disse durante uma apresentação em um evento em Washington. “Robôs não são mais apenas para equipes de eliminação de explosivos … Eles [tropas terrestres] estão usando-os de maneiras que nós nunca esperávamos.”

Por exemplo, pelo menos uma unidade enviada é um M160, do tamanho de um quadriciclo – um veículo rastreado equipado com um “mangual” para detonar minas enterradas – que vai à frente de um veículo de detecção de bombas (tripulado). Ele limpa o caminho para o limpador de caminhos, se preferir. Thompson mostrou um vídeo no qual “uma poderosa bomba destruiu o M160,” relatou a National Defense. “Em outra situação, teria sido o veículo e seus tripulantes,” a revista destacou.

Bots também estão sendo usados para inspecionar veículos que se aproximam das barreiras, Thompson explicou. Muitos outros usos para os veículos terrestres não tripulados são secretos, ele complementou.

Thompson parece otimista sobre as perspectivas dos groundbots, mas outros engenheiros de robótica militares manifestaram o seu desapontamento. Apesar da crescente popularidade e utilidade dos soldados robôs americanos, eles ainda são muito burros para fazer qualquer coisa sozinhos. Demonstrações da tecnologia dos groundbots “existem em abundância,” disse Dr. Scott Fish, o cientista chefe do exército, disse no mesmo evento em Washington. Mas pesquisadores militares ainda “não sabem quando é que poderão oferecer … autonomia de verdade.”

E sobre a estimativa de 2000 robôs. Nós não duvidamos que foram entregues 2000 robôs na zona de guerra, mas quantos desses estão guardados em uma prateleira no depósito do batalhão  porque eles são frágeis demais para o combate, burros demais para contribuir na batalha ou simplesmente desnecessários?

Em outras palavras, por enquanto os groundbots estarão limitados a missões onde operadores humanos possam supervisioná-los de perto – diferente de airbots, alguns dos quais já podem voar em várias missões com bem pouca supervisão humana. Nós não veremos comboios terrestres totalmente robóticos ou snipers robô tão cedo.

Isso se dá porque no solo, “mesmo um galho na estrada é um obstáculo,” um pesquisador do exercido explicou para o meu livro lançado em 2008, War Bots. Ao passo que, no ar, robôs podem mover-se razoavelmente livres sem colidir com nada. É possível dizer que resolver o problema de “sentir e evitar” é o foco principal dos militares desenvolvedores de groundbot. Apesar de ter alguns resultados promissores em um importante teste da Marinha no ano passado, o pentágono ainda não sabe como treinar seus robôs terrestres para serem verdadeiramente independentes.

Mas isto limita apenas amplitude do potencial dos robôs terrestres, não a profundidade. Para as missões que eles são bons – desarmamento de bombas, tarefas nas barreiras, patrulhar cooperando com tropas humanas – os robôs terrestres são muito, muito bons. E ainda há bastante espaço para mais robôs supervisionados cuidarem mais dessas funções em particular.

Apenas não espere que eles pensem por você.

Foto: QinetiQ

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