Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, listaram as maiores ondas de calor de todos os tempos. O Brasil ocupa o top 3 da lista, com um evento registrado em novembro de 1985 na região sul. 

Para elaborar a lista, os cientistas foram motivados pela onda de calor que atingiu a América do Norte no ano passado. No dia 29 de junho de 2021, a cidade de Lytton, no Canadá, atingiu a temperatura de 49.6 ºC. Pessoas tiveram que evacuar o local após o surgimento de incêndios resultantes do fenômeno. 

Mas as análises publicadas na revista Science Advances mostram que o evento, apesar de notável, não está entre os mais graves que o mundo já enfrentou. Na verdade, fazem parte da lista as ondas de calor registradas no sudeste da Ásia em 1998 (32.8 ºC), no Brasil em 1985 (36.5 ºC), nos EUA em 1980 (38.4 ºC), no Alasca em 2019 (23.8 ºC) e no Peru em 2016 (23 ºC).

As temperaturas são consideravelmente baixas quando comparadas ao episódio canadense recente, mas o valor marcado no termômetro não foi levado em consideração. Os cientistas analisaram dados históricos de temperatura coletados de 158 regiões do mundo entre 1968 e 2021. Então, apontaram para as regiões que registraram temperaturas raras, com menos de 0,1% de chance de serem atingidas no local. 

A equipe também previu como a América do Norte poderia ser atingida nos próximos anos pelas ondas de calor. Caso a temperatura média global aumente em 4,3 ºC até o final do século –pior cenário possível–, haverá uma chance em seis de que ondas de calor extremas ocorram anualmente até 2090. 

Se o aumento médio global for de apenas 1,8 ºC –cenário mais otimista–, o risco de ondas de calor extremas a cada ano no mesmo período será de uma em mil. Ou seja, a redução na emissão de gases do efeito estufa e o cumprimento do Acordo de Paris podem ajudar a evitar eventos extremos.