Em 2009, uma estrela binária que estava queimando há anos explodiu de repente, depois de ficar milhões de vezes mais brilhante em pouco tempo. Agora, depois de estudar o antes e o depois do evento extraordinário, uma equipe de astrônomos poloneses descreveu o que aconteceu em um novo artigo científico. Basicamente, uma estrela zumbi se carregou e virou termonuclear – e isso pode acontecer novamente.

Esta estrela imensa é maravilhosa, mas está com os dias contados
Imagem registra o belo nascimento de uma estrela



O sistema estelar em questão – V1213 Cen, localizado a 23.000 anos luz no braço de Scutum-Centaurus na Via Láctea – consiste em dois companheiros bem próximos, uma pequena estrela anã vermelha e um núcleo estelar morto conhecido como anã branca. É uma relação parasitária na qual a estrela morte se alimenta lentamente da estrela viva, desviando matéria para longe e, ocasionalmente, queima em explosões estelares conhecidas como nova anã.

Em sistemas binários como esse, em algum momento a estrela morta vai agregar hidrogênio fresco e hélio suficiente para gerar temperaturas e pressões extraordinárias, iniciando assim reações de fusão termonuclear. Quantidades imensas de matéria e energia são liberadas, iluminando o céu em uma breve porém brilhante nova clássica. E foi exatamente isso o que nossos telescópios observaram na V1213 Can em 2009.

Astrônomos conhecem a nova clássica há séculos, mas devido à natureza transitória dessas explosões, elas se mostraram bem difíceis de serem estudadas. Com a V1213 foi diferente. Graças ao Optical Gravitational Lensing Experiment da Universidade de Varsóvia – um estudo de longo prazo de matéria negra que observa bilhões de estrelas no bojo galático – o astrônomo Przemek Mroz conseguiu coletar dados contínuos da V1213 Cen nos seis anos anteriores e seguintes a 2009, criando um dos registros mais completos que temos.

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Imagens do ciclo de vida da nova V1213 (topo), e a posição da estrela vista do telescópio de Varsóvia (baixo). Crédito: J. Skowron, K. Ulaczyk/Observatório da Universidade de Varsóvia

As descobertas, publicadas na Nature, dão informações importantes sobre como essas novas clássicas evoluem com o passar do tempo; dando força a um modelo proposto porém não testado conhecido como “hipótese da hibernação.”

De acordo com essa hipótese, depois da erupção de uma nova clássica, a taxa de transferência de massa entre duas estrelas é elevada por séculos. O sistema permanece brilhante como era antes da explosão. E então, com o passar de milhares ou milhões de anos, a alimentação frenética dá uma parada e a anã branca entra em uma “fase de hibernação.” Essa estrela desperta depois de um tempo e devora novamente a sua companheira, reiniciando o ciclo.

“Isso é algo que todo pesquisador no campo de estrelas binárias imaginava que acontecia, mas a probabilidade de observarmos isso acontecer era considerada baixa,” disse Mroz ao Gizmodo. “Acreditamos que nossos dados dão apoio a essa teoria.”

Mroz também disse que a V1213 Cen está apagando lentamente de acordo com a teoria da hibernação. Ao continuar estudando as dinâmicas do sistema nos próximos anos, Mroz espera conseguir solucionar mais mistérios sobre como essas estrelas binárias evoluem e se autodestroem com o passar do tempo.

Imagem de topo: J. Skowron, K. Ulaczyk/Observatório da Universidade de Varsóvia