Atualização às 12h45 (26/10): uma versão anterior do texto falava no título sobre “resposta autoimune” quando na verdade o certo é “resposta imune”. A informação já foi corrigida.

Uma das vacinas mais promissoras na cura do novo coronavírus produziu uma resposta imune bastante alta, tanto em jovens quanto em idosos. Estamos falando do medicamento produzido pela parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica britânica AstraZeneca, que também estão realizando testes aqui no Brasil.

O simples fato de gerar imunidade de forma segura já é um grande fato por si só. Contudo, o que torna o anúncio ainda mais animador é que a vacina não apresentou efeitos reversos ou inseguros em voluntários idosos, que possuem o sistema imunológico mais fraco e vulnerável. É por isso que esse grupo é considerado um dos que apresentam maior risco de sofrer complicações graves por conta da COVID-19.

Desde julho, o laboratório britânico vem testando o imunizante em um grupo de adultos saudáveis com idades entre 18 e 55 anos. Em todos, a vacina induziu uma “forte resposta imune”.

“É encorajador ver que as respostas de imunogenicidade foram similares entre adultos jovens e idosos e que a reatogenicidade foi mais baixa em adultos mais velhos, onde a gravidade da Covid-19 é maior. Os resultados constroem ainda mais o corpo de evidências de segurança e imunogenicidade da AZD1222 (nome técnico da vacina)”, disse um porta-voz da AstraZeneca. As informações são da agência Reuters.

A vacina desenvolvida pela farmacêutica em parceria com a Universidade de Oxford começou a ser desenvolvida em janeiro deste ano. O vetor viral usado no medicamento é feito a partir de uma versão fraca do vírus da gripe que causa infecções em chimpanzés. Este vírus, por sua vez, é então modificado com a sequência genética da proteína encontrada no Sars-CoV-2 – a mesma que infecta as células humanas.

O objetivo dos cientistas é estimular o corpo humano a produzir anticorpos capazes de neutralizar o novo coronavírus e ao mesmo tempo impedir que ele infecte o organismo.

Uma outra vacina, a CoronaVac, também tem se mostrado segura para idosos, porém a resposta imunológica é menor nesse grupo. O imunizante é desenvolvido em uma parceria entre o laboratório chinês Sinovac Biotec e o Instituto Butantã, em São Paulo.

No entanto, é provável que a vacina de Oxford não seja disponibilizada para a população em massa neste ano. Matt Hancock, secretário de Saúde do Reino Unido, afirmou que não descarta um lançamento ainda em dezembro, mas que a expectativa central do governo tem trabalhado com janela de lançamento a partir de 2021. Hancock anda disse que o governo está preparando uma logística para disponibilizar o imunizante na primeira metade de 2021. Ou seja, é bem possível que uma vacinação em massa só aconteça em 2022.

Vale lembrar que, no início de setembro, os testes com a vacina de Oxford foram interrompidos após um voluntário apresentar efeitos colaterais graves que poderiam estar relacionados ao medicamento. Foi a segunda vez que a testagem havia sido interrompida.

Mais recentemente, um jovem de 28 anos que morava no Brasil e participava dos testes acabou morrendo de complicações relacionadas ao coronavírus. Isso, contudo, não interrompeu os experimentos. Fontes disseram ao jornal O Globo e à Bloomberg News que o jovem estava no grupo que tomou o efeito placebo, o que significa que ele não recebeu a vacina experimental. No entanto, essa informação não foi confirmada pelos órgãos de saúde.

[Reuters]