Senhoras e senhores, nós temos dois grandes candidatos na corrida pela realidade virtual. O Project Morpheus da Sony e o HTC Vive, desenvolvido junto à Valve, são os melhores headsets VR que já vimos. Ambos permitem que você realmente pegue objetos no mundo virtual, ao contrário do Oculus Rift. Mas qual dessas duas maravilhas tecnológicas é a mais promissora?

Até ontem, não podíamos começar a responder essa pergunta. Eu vi o mais recente protótipo do Morpheus em San Francisco (EUA), e meu colega Carlos Rebato fez o teste do Vive em Barcelona, na feira MWC. A uma distância de quase 10.000 km, fica difícil fazer comparações.

Mas hoje, eu experimentei o Vive também. Agora eu vi os dois.

Valve e Sony em realidade virtual (2)

O Project Morpheus da Sony (acima) ainda é a experiência VR mais confortável que eu já testei. Ainda fico impressionado em como o headset se equilibra de forma que a tela parece flutuar na frente da sua cabeça. O Vive ainda usa a abordagem típica de óculos de realidade virtual: prenda os óculos na cabeça com faixas de elástico.

Honestamente, eu também prefiro as lentes da Sony, que me dão um campo de visão um pouco mais amplo. Elas também parecem mais… transparentes. Com o Vive, eu ocasionalmente senti como se estivesse olhando através de óculos de proteção.

A fraqueza da Sony é que o Morpheus é limitado pelo hardware: o PlayStation 4 e a PlayStation Camera.

O PS4 é poderoso, com certeza, mas os ambientes virtuais que ele cria não chegam ao nível de detalhe que a Valve consegue com uma placa de vídeo Nvidia GTX 980 dentro de um PC robusto para jogos. Na demonstração da Aperture Science – uma experiência incrível que coloca você no mundo tecnologicamente avançado do jogo Portal – é possível se aproximar de objetos tão realistas que meu cérebro esqueceu que eles não eram reais.

Valve e Sony em realidade virtual (3)

Está vendo esta foto? O texto no display holográfico é realmente legível quando você usa o Vive. Ele possui duas telas 1080 x 1200, uma para cada olho. O Morpheus, no entanto, possui apenas uma tela OLED com resolução Full-HD.

E enquanto a PlayStation Camera só pode acompanhar o movimento que acontece na frente dela, levando a experiências relativamente fixas – como disparar contra inimigos atrás de uma mesa – você pode andar por aí na realidade virtual da Valve. Isso é possível graças a dois emissores laser que ficam na parede: eles cobrem suas paredes, piso e teto em pontos de luz invisível, que o headset e os controles do Vive capturam com suas minúsculas câmeras embutidas.

Valve e Sony em realidade virtual (5)

Você não tem que se preocupar em colidir na parede ou esbarrar em objetos: depois que você especificar o tamanho e forma do seu cômodo, você verá uma grade virtual aparecer sempre que chegar muito perto de uma parede. Eu estendi a mão e toquei nessa grade; a parede sempre estava exatamente onde eu esperava.

Com os controles, o rastreamento é tão perfeito que você pode “ver” o dispositivo real no mundo virtual. Explico: quando Joe Ludwig, da Valve, me entregou o joystick, eu não precisei tirar o Vive para encontrá-los: eles apareciam na realidade virtual, então bastava pegá-los com a mão.

HTC Vive - hands-on (5)

Então eu reparei como esses controles são inteligentes. Eles não só acompanham as mãos no espaço 3D com uma precisão absurda, como possuem botões nas laterais que se comprimem quando você os agarra com firmeza, gatilhos sob os dedos indicadores, e touchpads sob seus polegares. Ao contrário do PlayStation Move, que só tem um gatilho no dedo indicador, esses controles permitem agarrar objetos de forma mais próxima à qual você os pegaria no mundo real. Não há feedback tátil, mas é uma solução melhor que a da Sony.

A colaboração da Valve e HTC ainda não está pronta para o mercado. A demonstração que eu vi ainda exigia que eu usasse uma faixa de elástico cheia de cabos para conectar os dois controles. A Valve diz que os controles no produto final não terão fios. O headset, no entanto, precisa estar conectado fisicamente ao PC.

O Morpheus também precisa ser ligado por fio no PlayStation, mas isso é um problema maior no Vive: algumas vezes, enquanto caminhava ao redor, eu cheguei muito perto de tropeçar no cabo.

Quando eu questionei a HTC sobre isso, eles não disseram como vão resolver isso, só disseram que estavam comprometidos em fornecer a melhor solução possível para seus clientes. A Valve também não poderia me dizer como eles vão indicar a existência de outros objetos na sala – como um sofá – dentro da realidade virtual.

HTC Vive - hands-on (4)

Estou otimista de que eles vão descobrir alguma coisa, porque agora o HTC Vive – não o Sony Morpheus – é a melhor experiência de realidade virtual que eu já testei.

Agora mesmo, eu jogaria dinheiro para qualquer empresa que tivesse jogos de realidade virtual tão bons quanto as demonstrações que eu vi nos headsets. Ambos são muito bons. Mas neste momento, parece mais provável que a Valve e a HTC recebam meu suado dinheirinho.

O HTC Vive deve chegar ao mercado ainda este ano. O Morpheus só será lançado em 2016.