Quando saem da Terra, os astronautas geralmente ficam ocupados demais e não têm muito tempo para, uhm, perpetuar nossa espécie. Mas ainda não está claro se os seres humanos podem prosperar em condições de microgravidade.

Michael Stevens, do Vsauce, aborda a questão e analisa como seria um bebê nascido no espaço, e quais os problemas que isso poderia causar no seu equilíbrio, visão e formação.

Os humanos nasceram para prosperar em um ambiente com gravidade. Enquanto colônias espaciais não conseguirem recriar a gravidade da Terra, é preciso lidar com os efeitos de sua ausência no corpo. E quais são eles? Michael explica um por um.

Na Terra, os líquidos do seu corpo se distribuem de acordo com a gravidade. No espaço, eles podem se distribuir igualmente pelo corpo, deixando astronautas com pernas finas e rostos mais inchados.

A pressão maior dos líquidos na cabeça afeta os globos oculares dos astronautas, e faz com que o corpo pare de produzir sangue (por pensar que já está com muito fluido). Astronautas podem perder até 22% do volume de sangue no corpo, deixando o coração mais frágil.

Sem gravidade, astronautas também sofrem de atrofia nos ossos (até 1% por mês) e músculos (até 5% ao mês). E a exposição a radiações cósmicas também pode ser um problema: em testes com ratos, isto faz o fluxo cerebral se modificar, e faz surgir no cérebro mais placas do tipo encontrado em pacientes com mal de Alzheimer.

Humanos possuem um sistema no ouvido interno que permite a você manter seu equilíbrio. Ele consiste em uma série de tubos cheios de líquido – só que, em microgravidade, esse líquido fica flutuando sem rumo. Isso causa enjoos ou perda de equilíbrio em cerca de 50% dos astronautas. Ratas grávidas levadas ao espaço e que dão à luz na Terra geram bebês com certos problemas de equilíbrio.

Ou seja, um bebê nascido no espaço poderia ter pernas fracas, menos músculos, rosto mas inchado, visão afetada e ainda correr riscos de saúde no futuro.

Claro, como o vídeo avisa, tudo isso ainda é especulação: poucos estudos foram feitos, e poucos estão planejados para o futuro. Além disso, não sabemos ao certo se é possível fazer bebês no espaço: por exemplo, a enzima que faz a cauda do espermatozoide parar de girar não funciona muito bem em gravidade zero. Ou seja, os espermatozoides nadam mais rápido no espaço – e isso pode afetar a fecundação.

No geral, a mensagem do Vsauce é que os seres humanos são espertos, porém mal-preparados para uma vida sem peso. Mas conseguimos sair da Terra, certo? Uma coisa de cada vez. [Vsauce]