The Hello Machine é um curta-metragem fascinante dirigido por Carroll Ballard em 1974. Ele mostra o processo de fabricação de um mainframe para a operadora americana AT&T, usado em sua rede de telefonia.

A máquina, repleta de comutadores telefônicos feitos à mão, era responsável por conectar as ligações de uma determinada área geográfica com a rede DDD da operadora.

Ela foi criada após 20 anos de pesquisa a um custo de US$ 500 milhões na época, ou US$ 2,4 bilhões em valores atuais. “Isso foi dez vezes o orçamento original”, diz George Kupczak, arquivista da AT&T.

De acordo com Kupczak, o mainframe triplicou o número de chamadas em relação ao sistema anterior com comutadores eletromecânicos. Ele lidava com chamadas de até 5 milhões de clientes – algo incrível na época. A sua quarta versão conseguia gerenciar até 600 mil chamadas por hora.

The Hello Machine é um filme-poema curto e sem palavras, em que [Ballard] mostra a construção de todo um mainframe ESS (Electronic Switch System). […] No filme, ele narra o ato de fazer e construir o mainframe com mãos humanas com tanto cuidado que isso se torna artesanato, como a tecelagem ou costura.

À medida que ele eleva o funcionário ao status de artesão, o próprio mainframe se torna uma obra de arte, que ganha vida através da eletricidade. Ballard acredita que esta máquina leva os seres humanos a se conectarem com outros humanos, não com máquinas.

Eis um factoide sobre o título do curta-metragem:

Há um pouco de ironia no título: “The Hello Machine” costumava ser um apelido para o telefone, mas Alexander Graham Bell, inventor da máquina, sempre achou que “Ahoy” seria um melhor cumprimento do que “alô” em um telefonema. “Alô” foi mais uma ideia de Thomas Edison e, claro, foi a que pegou. Na verdade, a palavra “hello” só se tornou realmente popular como uma saudação no inglês quando o telefone passou a ser amplamente utilizado.