Engana-se quem pensa que apenas os cães trocam fungadas ao conhecer novos membros da espécie. Estudos anteriores já mostraram que os humanos levam a mão ao nariz inconscientemente após cumprimentar uma pessoa diferente. 

Mas a história não para por aí. Pesquisadores do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel, indicaram em um novo artigo uma ligação entre o cheiro das pessoas e a relação desenvolvida entre elas. De acordo com os pesquisadores, indivíduos com odores semelhantes tendem a ficar amigos com mais facilidade. 

O estudo publicado na revista Science Advances é baseado na análise de 20 pares de amigos do mesmo sexo biológico que se conectaram após o primeiro encontro. Vale dizer que nenhuma das duplas tinha envolvimento romântico. 

Os pares foram cheirados em duas situações: primeiro, os pesquisadores utilizaram um nariz eletrônico capaz de detectar os componentes químicos dos odores. Depois, 25 adultos foram instruídos a sentir o cheiro das camisetas dos participantes. Em ambos os experimentos, foram encontradas similaridades no odor dos pares de amigos. 

A pesquisa contou com uma segunda parte. A equipe recrutou 17 novos voluntários que nunca haviam se encontrado. Então, todos foram cheirados pelo nariz eletrônico. 

Passado o registro, era hora de dar seguimento ao estudo. Todos os participantes foram apresentados a outro do mesmo sexo biológico, tendo que resolver um jogo de expressão não verbal em dupla. Ao final, os voluntários relataram maior química com aquelas pessoas que compartilhavam cheiros semelhantes. 

De acordo com os cientistas, é uma tendência humana fazer amizade com pessoas de idade, etnia, educação, religião, aparência física, personalidade e valores equivalentes. Por outro lado, a situação muda quando o indivíduo está atrás de um namorado ou namorada. 

Estudos passados já mostraram que as mulheres, por exemplo, são mais atraídas por odores de homens que possuem genes imunológicos diferentes. A possível explicação é bem simples: quanto maior a diversidade genética, melhor para a espécie. A relação com o oposto poderia gerar descendentes com sistemas imunológicos mais fortes, por isso é priorizada.