No início da década de 1990, um antropólogo britânico chamado Robin Dunbar argumentou que os humanos não conseguem lidar com mais de 150 relacionamentos estáveis ​​com base no tamanho do neocórtex do cérebro humano e nas observações da socialização de outros grupos de primatas. Agora, uma equipe de pesquisadores da Suécia afirma que esse número não é real.

A equipe argumenta que o número de Dunbar — na verdade um conjunto de números que definem diferentes círculos de intimidade e seus tamanhos, com o número 150 para amigos casuais sendo o mais citado — não é uma forma razoável de decifrar a sociabilidade humana. O novo estudo foi publicado na terça-feira (4) na revista Biology Letters.

Os pesquisadores conduziram as mesmas análises que Dunbar, mas com novos métodos e informações atualizadas do conjunto de dados agora com 30 anos. Eles descobriram que o tamanho máximo médio do grupo entre os primatas era na verdade menor do que 150 indivíduos, mas o número estava em um abismo de incerteza estatística, o que colocava o número máximo real do tamanho do grupo entre dois e 520 — dificilmente um intervalo para se trabalhar.

“O que fizemos foi replicar a análise original de Dunbar, mas com mais dados e métodos estatísticos atualizados”, disse Patrik Lindenfors, ecologista zoológico do Institute for Futures Studies em Estocolmo, por e-mail. “Nosso ponto principal é que o intervalo de confiança de 95% é muito grande para permitir afirmar qualquer número, como fez Dunbar.”

O 150 de Dunbar era realmente o ponto médio de um intervalo; uma pessoa pode ter cerca de 100 a 200 dessas relações estáveis. Mas esse intervalo também não se encaixa na nova análise. Os outros agrupamentos de Dunbar eram 1.500 (o número total de pessoas que você pode nomear), 500 (o máximo de conhecidos que uma pessoa poderia ter), 150 (relacionamentos estáveis, um conceito nebuloso que significa basicamente pessoas com quem você tem contato social regular), 50 (amigos mas não o seu círculo íntimo), 15 (máximo de amigos próximos) e, em seguida, a elite dos cinco (ou perto disso — estes são seus melhores amigos e entes queridos). Mas Dunbar disse que havia fluidez nesses grupos; as contagens podem variar ligeiramente e as pessoas podem entrar e sair dessas esferas.

De acordo com Lindenfors, há mais do que apenas biologia reforçando nossas capacidades sociais; em outras palavras, nem tudo se resume ao neocórtex e às nossas tendências inatas como criaturas humanas.

“A maioria das pessoas que estão lendo este artigo sabe mais de 20.000 palavras”, disse ele. “As pessoas aprendem todo tipo de coisas. Por que não seríamos capazes de usar essa habilidade nas relações sociais?”

Talvez você sinta muita falta de multidões. Talvez você nunca mais queira ficar perto de uma. Foto: Marco Di Lauro/Getty Images (Getty Images)

Dunbar apresentou seus números nos primeiros dias da World Wide Web. Desde então, desenvolvemos redes sociais que remodelaram o que significa ser um “amigo”. Há um tempo atrás, para testar o número de Dunbar, a Wired avaliou 1.000 amigos do Facebook, com alguns resultados interessantes (e mistos), nos lembrando o quão pouco alguém pode interagir com os chamados amigos em uma rede social.

“A cultura afeta tudo, desde o tamanho das redes sociais até se podemos jogar xadrez ou se gostamos de fazer caminhadas”, disse o coautor Johan Lind, um cientista cognitivo da Universidade de Estocolmo, em um comunicado. “Assim como alguém pode aprender a lembrar um número enorme de decimais no número pi, nosso cérebro pode ser treinado para ter mais contatos sociais.”

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Claro, percorremos um longo caminho, mesmo desde o surgimento das redes sociais. Talvez a pandemia o tenha lembrado dos relacionamentos que mais importam em sua vida ou o tenha ajudado a se separar dos amigos de conveniência. Talvez você nunca mais queira ver 150 pessoas na mesma videochamada, muito menos na vida real. Como muitas “regras”, o número de Dunbar pode não se sustentar em face da enorme diversidade da humanidade.