A investigação do voo MH370 da Malaysia Airlines foi reaberta com a ajuda de uma firma particular. Sua história incompleta se recusou a oferecer uma conclusão às famílias das 239 vítimas e acabou por suscitar teorias da conspiração. Mas cientistas continuaram com a investigação do impacto desde que ele ocorreu, há três anos e meio. O acidente inspirou uma equipe a criar uma nova maneira de localizar grandes perturbações no oceano, como terremotos, meteoros e até mesmo aviões em queda.

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Cientistas geralmente não levam em consideração a força da gravidade ao estudar a velocidade do som na água. Mas uns poucos casos veem a gravidade se mostrando, como ondas de baixa frequência criadas por algumas perturbações no oceano. Acrescentar os efeitos de volta permite aos pesquisadores inverter o problema: em vez de criar uma onda, eles podem usar a matemática para ouvir uma onda e então encontrar o lugar de onde ela começou.

Usama Kadri, matemático aplicado na Universidade de Cardiff, discutiu anteriormente essas ideias com o Australian Transport Safety Bureau (ATSB). Ele acha que elas têm muito mais aplicações, de acordo com o estudo publicado nesta terça-feira (24) no periódico Scientific Reports. Isso inclui desde “localizar meteoritos em queda até detectar deslizamentos de terra, de neve, surtos de tempestade e vagalhões”. Talvez pudessem ser usadas para “detectar movimentos no interior da Terra e nas placas tectônicas”.

Os pesquisadores começaram um experimento usando pesos soltos em uma grande piscina para confirmar como um objeto atingindo a água se pareceria em um hidrofone. Eles compararam isso com os dados que tiraram dos hidrofones do Oceano Índico para encontrar exemplos de impactos e eventos sísmicos do mundo real. Eles confirmaram que as ondas pareciam carregar informações sobre o impacto com elas, a mais importante delas sendo sua localização, que poderia ser decodificada pelas contas matemáticas da tal teoria das ondas acústicas de gravidade.

Os pesquisadores não encontraram o avião, mas sinais apareceram nos hidrofones do Oceano Índico no dia do desaparecimento, um deles em um local razoável. Infelizmente, eram sinais fracos, que levaram a uma “incerteza relativamente grande nos locais”. O estudo deixa os cenários potenciais para “especialistas de busca discutirem”. O que eles provavelmente vão fazer.

“É quase inconcebível e certamente socialmente inaceitável na era da aviação moderna… que uma aeronave comercial grande desapareça e o mundo não saiba com certeza o que aconteceu com ela e com aqueles a bordo”, escreveu o ATSB, segundo o Jalopnik. Ainda assim, ninguém, nem Kadri ou o o ATSB, quer levantar falsas esperanças para as famílias das vítimas.

Existem limitações nesse experimento mais recente. Afinal, ele foi feito em um tanque, e não no oceano. Outros pesquisadores estão impressionados com o trabalho de Kadri. Mas eles alertaram que é preciso fazer mais modelagens, tanto do impacto da aeronave no oceano quanto dos efeitos do fundo do mar em si.

Mas isso, combinado com novos mapas do fundo do mar, mostrou quanto conhecimento científico surgiu a partir do desaparecimento daquele voo.

[Scientific Reports, Time]

Imagem do topo: AP