Vulcões poderosos podem causar muitos danos e, por consequência, geram muita preocupação. Mas uma nova pesquisa ressaltou que, na verdade, há vários aglomerados de vulcões relativamente pequenos que, caso entrem em erupção, destruiriam a infraestrutura crítica e a economia global.

O artigo, publicado na revista científica Nature Communications, aponta que erupções gigantescas são relativamente raras, enquanto as menores acontecem com mais frequência. E como pequenos vulcões são capazes de perturbar a aviação, o comércio e as comunicações, eles representam riscos significativos para a civilização moderna.

“É hora de mudar a forma como vemos o risco vulcânico”, explicou Lara Mani, principal autora do artigo e pesquisadora do Centro para o Estudo de Risco Existencial da Universidade de Cambridge, em um comunicado à imprensa. “Precisamos deixar de pensar naquelas erupções colossais destruindo o mundo, como nos filmes de Hollywood. Os cenários mais prováveis ​​envolvem as de menor magnitude interagindo com nossas vulnerabilidades sociais e nos levando à catástrofe”, completou.

Mani e seus colegas trazem um bom ponto. Isso porque as erupções são classificadas com o Índice de Explosividade Vulcânica (VEI), que as enumera em uma escala de 1 a 8. Erupções colossais com classificação tão alta quanto 7 ou 8, felizmente não ocorre com muita frequência.

Ao mesmo tempo, erupções classificadas de 3 a 6, embora não tão destrutivas, acontecem uma vez a cada década ou duas. Bons exemplos incluem Mount St. Helens em 1980 (VEI 4), Pinatubo em 1991 (VEI 6) e Eyjafjallajökull em 2010 (VEI 4).

Como a pesquisa aponta, uma parte significativa de nossa infraestrutura está localizada perto de centros vulcânicos de baixa magnitude, e porque “erupções vulcânicas moderadas podem ter efeitos catastróficos em cascata”, nossas “avaliações de risco devem ser considerado sob esta luz”, escrevem os cientistas.

Mani e seus colegas identificaram sete “pontos de aperto” distintos em todo o mundo — ou seja, regiões onde a infraestrutura está localizada próxima a aglomerados de vulcões pequenos, mas perigosos (ou seja, VEI 3-6). Esses pontos incluem o noroeste dos Estados Unidos, Taiwan, a fronteira chinesa-norte-coreana, o Estreito de Luzon (uma passagem que conecta o Mar da China Meridional ao Mar das Filipinas), o Malaio (especificamente o Estreito de Malaca), o Mediterrâneo e o Atlântico Norte.

Nuvens de cinzas, gases vulcânicos, fluxos de lama, deslizamentos de terra, terremotos e tsunamis, poderiam causar estragos nessas regiões, rompendo cabos submarinos, destruindo plantações, danificando usinas de energia, redes elétricas e oleodutos e tornando as passagens marítimas inacessíveis, entre outros cenários. Essa cascata também continuaria, interrompendo as redes de comunicações internacionais, as cadeias de suprimentos globais e os sistemas financeiros.

Como o artigo afirma, uma erupção no noroeste dos Estados Unidos envolvendo o Monte Rainier, Glacier Peak ou Mount Baker (VEI 6) geraria lama e nuvens de cinzas perto de Seattle. Os aeroportos e portos marítimos da região, que respondem por 2,5% do tráfego total dos EUA, parariam. As perdas estimadas atingiriam US$ 7,63 bilhões do PIB global em um período de cinco anos, de acordo com o estudo.

Outros cenários propostos incluem devastação para indústrias de tecnologia perto de Taipei (especialmente fabricação de chips de computador), cabos submarinos quebrados no Mediterrâneo, acesso marítimo restrito através do Canal de Suez, o arquipélago indonésio e o estreito de Luzon, e interrupções no tráfego aéreo entre Londres e Nova York.

Felizmente, a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, na Islândia, em 2010, não causou a perda de vidas humanas, mas custou à economia global mais de US$ 5 bilhões, já que o tráfego aéreo foi amplamente interrompido.

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O objetivo da pesquisa, argumentam os pesquisadores, não é assustar as pessoas, mas motivar a preparação e o planejamento. Ao contrário dos riscos apresentados por erupções vulcânicas gigantescas, “onde temos poucas oportunidades de prevenção, podemos trabalhar para reduzir a fragilidade e a exposição de nossos sistemas críticos a eventos naturais de início rápido e, em última análise, aumentar nossa resiliência a [riscos catastróficos globais]”, afirmou a equipe.