O Waze Carpool, serviço de caronas para pessoas que moram e trabalham próximas uma das outras, estreou no Brasil nesta terça-feira (21). O objetivo da companhia com o aplicativo é diminuir o trânsito das cidades ao compartilhar o carro. Em troca, o motorista recebe uma ajuda de custo pela viagem.

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O Carpool faz parte da estratégia do Waze para oferecer opções para que as pessoas fujam dos congestionamentos. Em entrevista ao Gizmodo Brasil, o CEO do Waze, Noam Bardim, disse que o app já não tem muitas alternativas em algumas cidades e que o próximo passo é “tirar carros das ruas”.

Para se ter uma ideia, São Paulo é a cidade com o maior número de usuários do Waze no mundo, e o uso do aplicativo é capaz de afetar diretamente a dinâmica do trânsito da cidade.

Em outubro do ano passado, o índice de lentidão na capital paulista, na parte da tarde, ficou mais do que o triplo acima da média dos dias comuns – com grande concentração na avenida 23 de maio. O aplicativo teve uma falha que mandou todos os motoristas para o mesmo lugar.

Nos Estados Unidos, o app causou um fluxo intenso de trânsito na cidade de Leonia, em Nova Jérsei, que funcionava como alternativa rápida para chegar a Nova York.

Esses são alguns exemplos que confirmam a tese de que o Waze está ficando sem opções.

O plano inicial é convencer as pessoas a utilizarem o Carpool. Segundo o CEO, o competidor do aplicativo é o motorista que dirige sozinho. “O maior desafio para nós é fazer a pessoa usar o Carpool pela primeira vez. Todo mundo tem medo, imaginam muitas coisas sobre quem vai entrar no carro delas. Mas quando usam pela primeira vez, elas ficam mais abertas e mudam de ideia. O passageiro não senta atrás, senta na frente. E isso muda a dinâmica”, afirmou.

Noam disse que os bugs existem e sempre vão existir, mas que muita gente culpa o Waze pelo trânsito, quando na verdade os verdadeiros culpados são os carros. “Enxergamos que o Carpool é uma resposta para esse problema. Quando eu projeto o futuro para daqui cinco anos, gostaria de ver usuários do Waze que costumavam dirigir, mas que estão deixando seus carros em casa. Talvez essas pessoas dirijam dois dias, peguem caronas em outros dois dias. São essas as ações que podemos fazer para que os carros saiam das vias e melhore a vida de todos”.

Para que as pessoas adotem o Carpool como alternativa, o Waze está conversando com municípios e traçando planos para incentivar as pessoas a deixarem seus carros em casa algumas vezes por semana. Os preços também podem motivar as pessoas: as corridas custam entre R$ 4 a R$ 25. Para trajetos de cinco a 40 quilômetros, a corrida custa R$ 10.

Em sua visita ao Brasil, Bardim se encontrou com o secretário de Mobilidade e Transportes de São Paulo, João Octaviano. Não houve nenhum acordo, mas o CEO afirma que as ideias foram muito bem recebidas. “Penso que o papel do governo nesse caso é oferecer incentivos, não vamos forçar as pessoas a fazerem nada. É preciso oferecer opções para que as pessoa não dirijam sozinhas”, comentou.

Uma das ideias, que inclusive foi citada por João Octaviano durante o evento de lançamento do Waze Carpool, é a criação de uma faixa exclusiva em horários de pico para carros ocupados por mais de uma pessoa. O modelo não é novo e a própria cidade de São Paulo já fez campanhas desse tipo nas faixas reversíveis, em 2012.

Algumas cidades dos Estados Unidos, como Seattle, adotaram o modelo de forma permanente, com as faixas HOV (High-occupancy vehicle lane). “Essas faixas são muito mais rápidas do que as outras, é um grande incentivo”, frisou Bardim.

Outras ideias incluem tarifa zero em alguns estacionamentos, desde que o motorista esteja acompanhado de passageiros. Segundo o CEO, o app já está trabalhando com algumas cidades para oferecer esse tipo de estacionamento gratuito.

Ele disse que a cidade de São Paulo foi muito receptiva às ideias e elogiou o secretário de mobilidade da cidade: “Fiquei impressionado com a inovação proposta e olha que tenho encontros com muitas pessoas da área de transportes”, disse Bardim. “Fico animado com o fato que todos podemos concordar o quão ruim são os congestionamentos, cada um com sua própria perspectiva. E não há mocinho nessa história. Todo mundo sofre com o trânsito e existe uma grande motivação para que todos cooperem”.

Imagem do topo: Luciana Aith/Divulgação/Waze