Você acreditaria se eu te contasse que as eleições presidenciais nos Estados Unidos ainda não acabaram oficialmente, 32 dias após o fim da apuração? Pois é. Muitos americanos à favor do atual presidente, Donald Trump, não aceitam o resultado divulgado pelas agências de notícias — lá não existe Tribunal Superior Eleitoral, então a confirmação do vencedor é feita pelos veículos de imprensa. A situação chegou a um nível tão crítico que o YouTube começou a remover vídeos que contestam a vitória de Joe Biden, incluindo aqueles com teorias conspiratórias de fraude.

Em um post no blog oficial, o YouTube diz ter tomado a decisão de deletar esses conteúdos porque praticamente todos os estados já encerraram a contagem (e recontagem, levando em consideração os pedidos de Trump para tal) dos votos. No entanto, a ação é válida somente para vídeos publicados a partir desta quarta-feira (9), o que significa que vídeos anteriores a essa data continuarão na plataforma, mesmo aqueles que contestam os resultados eleitorais.

“Ontem (8 de dezembro) foi nosso prazo limite, e um número suficiente de estados certificou seus resultados eleitorais para determinar um presidente eleito. Diante disso, começaremos a remover qualquer conteúdo enviado a partir de hoje que engane os usuários, alegando que fraudes ou erros generalizados mudaram o resultado das eleições presidenciais nos EUA em 2020”, escreveu a equipe do YouTube.

O site ainda revelou que “notícias de organizações autorizadas” foram os vídeos mais populares no período eleitoral. Os painéis de informações eleitorais ganharam mais de 200 mil vídeos relacionados às eleições estadunidenses e foram exibidos mais de 4,5 bilhões de vezes. Além disso, a plataforma disse que, desde setembro, foram encerrados mais de 8 mil canais e milhares de vídeos com conteúdo enganoso ou prejudicial. “Mais de 77% dos vídeos removidos foram retirados antes de alcançarem 100 visualizações”, completou.

Outros serviços também baniram centenas de milhares de conteúdos que contestavam os resultados das eleições nos EUA. O Facebook, por exemplo, passou a rotular postagens falsas após estas passarem por um processo de checagem. Entre as pessoas que mais divulgaram mensagens assim está — veja só — o próprio Donald Trump.

A mesma coisa vem acontecendo no Twitter, que também colocou etiquetas advertindo sobre tuítes com links e conteúdos falsos sobre a eleição. E, de novo, o presidente Trump está entre os perfis listados. Contudo, vale lembrar que nem o Twitter ou Facebook removeram as postagens falsas; as duas plataformas se limitaram a deixar o rótulo à mostra.

[YouTube, CNET, BuzzFeed News]