Agora que a Apple admitiu usar atualizações de software para limitar a performance de iPhones antigos, as pessoas estão revoltadas. É natural que elas façam aquilo que todos os consumidores irritados costumam fazer: processar.

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Nesta quinta-feira (21), A Apple foi recebeu dois processos de ação coletiva nos Estados Unidos, um registrado na Califórnia e outro registrado em Illinois. Ambos os processos alegam a mesma coisa: a Apple não tem o consentimento dos usuários para limitar o desempenho de seus celulares.

A Apple deve argumentar que as atualizações de software em questão são feitas para prevenir que os usuários se deparem com desligamentos repentinos em aparelhos com baterias desgastadas. No entanto, a ação aberta em Illinois afirma que a companhia falha em informar aos consumidores as alterações totais que essas atualizações realizam, o que fere a Lei de Fraude Contra o Consumidor e Práticas Enganosas de Illinois, juntamente com outras leis de proteção aos consumidores em Indiana e Carolina do Norte.

Enquanto isso, em Los Angeles, a ação aberta por Stefan Bogdanovich e Dakatoa Speas afirma que “a decisão da Apple em reduzir a velocidade de operação de telefones antigos para economizar autonomia de bateria nunca foi solicitada, nem concordada”. Bogdanovich, assim como muitos outros usuários de iPhone acredita que esta tática é uma estratégia da Apple para convencer as pessoas a comprar novos aparelhos.

O fato da Apple ter admitido que limita o desempenho de iPhones mais velhos para ajudar a prolongar autonomia da bateria pode reacender o debate sobre o direito à reparação de danos. Uma matéria no Motherboard afirma que empresas de assistência técnica dos Estados Unidos já estão sentindo um aumento na quantidade de usuários que solicitam a substituição de bateria, que seria uma forma de contornar a limitação de performance.

Talvez ambos os processos pudessem ter sido evitados, bastava a Apple ser mais transparente sobre as mudanças realizadas pelas atualizações de software. Na ação na Califórnia, Bogdanovich e Speas alegam que a companhia nunca pediu consentimento aos usuários e, portanto, eles nunca puderam escolher se preferiam seus celulares mais lentos do que o normal.

Então, talvez a grande lição aqui é que as grandes empresas de tecnologia precisam ser mais transparentes. Seria bem legal, né?

[PRNewswire, California Lawsuit, The Guardian]

Imagem do topo: Alessandro Junior/Gizmodo