No ano passado, uma carta publicada em um periódico científico mudou o quão “revolucionária” a tecnologia de edição genética CRISPR de fato seria. Ao utilizar a técnica CRISPR para curar cegueira em ratos, pesquisadores descobriram não apenas um punhado, mas milhares de mutações não intencionais. Essas mudanças indesejadas no DNA não foram detectadas usando métodos comuns para checar alvos indesejados. Isso, escreveram os autores, significava que o CRISPR precisaria de diversos aprimoramentos antes de ser usado para curar doenças em humanos. Ações relacionadas à técnica despencaram, e a comunidade cientifica se desesperou.

Mas a reação negativa foi breve. Outros pesquisadores acusaram o estudo de “negligência”, além de expor outras falhas em sua metodologia.

Agora, um novo artigo publicado como uma pré-publicação no site bioRxiv aponta que a pesquisa com os ratos foi um pouco mais que um alarme falso. Cientistas do Wellcome Sanger Institute, no Reino Unido, recriaram a pesquisa e descobriram que não havia muito com o que se preocupar. Na reprodução do estudo, eles usaram controles mais rigorosos para fins de exatidão. Os ratos que receberam o tratamento com CRISPR não possuíam mais diferenças significativas nas mutações genéticas do que aqueles que não receberam a técnica.

A possibilidade de efeitos não intencionais ainda é uma preocupação no desenvolvimento da técnica CRISPR – em janeiro, um outro estudo descobriu que a técnica ativa uma resposta imunológica em certas células humanas –, mas este novo artigo sugere que essa também não é uma preocupação tão grande quanto o estudo original sugeriu.

“Esse trabalho deve oferecer novos esforços no desenvolvimento do CRISPR-Cas9 como uma ferramenta terapêutica”, concluem os autores.

Para aqueles apostando no CRISPR como uma cura para todas as doenças no futuro, acreditamos que este artigo virá como boas notícias. Ele ainda precisa passar pela revisão por pares, no entanto, e muitas outras pesquisas ainda são necessárias antes do CRISPR se tornar um tratamento para as massas.

Imagem de topo: AP