O Gizmodo Brasil faz 5 anos e nós já estamos nos preparando para os próximos 50. Mas não espere carros voadores, teletransporte ou colonização de outros planetas, como ficamos acostumados a ver nos filmes e livros de ficção científica. Os grandes avanços da tecnologia serão mais sutis e já estão acontecendo. Conversamos com o futurista Patrick Tucker, editor da revista The Futurist, da World Future Society, para saber quais as tecnologias emergentes que vão ter grande impacto na vida dos nossos filhos e netos.

Antes de mais nada, é preciso explicar o que faz um futurista. Ao contrário do que pode parecer, ele não prevê o futuro, como supostamente fazem as cartomantes ou tarólogos. O futurista usa dados e fatos concretos para analisar, com base em pesquisas e informações comprovadas, o que pode acontecer nos próximos anos.

Segundo Tucker, um pequeno aparelho vai causar a maior revolução no mundo da tecnologia nos próximos 50 anos. E esse aparelho já está em nossos bolsos: o smartphone. “Apesar de termos o smartphone como lugar-comum e acharmos que isso já uma tecnologia ultrapassada, é importante lembrar que diversas partes do mundo e classes econômicas mais baixas ainda não têm acesso a esse tipo de tecnologia. Quando o mundo inteiro estiver de fato conectado, e hoje não está, veremos mudanças sociais profundas”, afirma Tucker.

O pesquisador explica que o acesso universal aos smartphones, “ou outro aparelho conectado à internet mais moderno, que ainda não conhecemos”, vai modificar profundamente instituições políticas e a maneira de organização da socidade. “Vai ser possível encontrar médicos sem hospitais, educação sem escola, informação sem imprensa”, diz Tucker. “Será um tipo diferente de progresso”, completa.

Um mundo 100% conectado, como prevê Tucker, terá como resultado a geração assombrosa de dados sobre padrões de comportamento, o que ficou conhecido como Big Data. “O processo de análise de dados ficará mais rápido e mais barato. Será possível detectar com facilidade como as doenças surgem e se espalham, padrões de consumo e de criminalidade, por exemplo”, diz Tucker.

Outra tecnologia que já foi vista por aí, mas que nos próximos anos promete impactar nossas vidas de maneira transformadora é a dos veículos autônomos, que não precisam de motoristas. O Google está investindo pesado nesta ideia e já possui alguns carros que circulam pelo Vale do Silício, nos Estados Unidos, em modo de testes. “Os carros autônomos estão muito avançados, e ficarão mais seguros ainda quando houver uma rede com vários veículos conectados entre si”, explica Tucker.

O futurista afirma que nas próximas décadas os carros autônomos se tornarão padrão e será muito incomum vermos um carro como conhecemos hoje circulando por aí. “A ideia de primatas gigantes, os humanos, dirigindo grandes caixas de metal e matando milhares de pessoas em acidentes anualmente vai parecer uma coisa muito estúpida daqui alguns anos”, afirma.

Além de reduzir acidentes, os carros autônomos vão mudar drasticamente o planejamento urbano e a maneira com que vemos as cidades atualmente. A posse de um veículo não será mais necessária e os carros não ficarão mais ociosos enquanto seus donos dormem ou trabalham. “Os veículos serão compartilhados e, quando o carro não está te levando para algum lugar, ele vai estar levando outra pessoa”, explica Tucker.

Os carros autônomos já circulam em algumas regiões da Califórnia, nos Estados Unidos, e tiveram seu uso aprovado nos Estados da Flórida e Nevada. Neste ano, o Reino Unido também aprovou a circulação dos veículos em ruas públicas para testes. “A resistência aos carros autônomos é muito mais política e econômica do que tecnológica. Em cinco anos, não haverá barreiras tecnológicas para o início da adoção em massa dos carros autônomos”, afirma o futurista Patrick Tucker.

Além dos avanços citados por Patrick Tucker em entrevista ao Gizmodo Brasil, podemos pensar em várias outras tecnologias que surgiram nos últimos cinco anos e que vão ter um grande impacto nas vidas de nossos filhos e netos nas próximas décadas. Veja a lista abaixo:

Comida artificial

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A população mundial não para de crescer e a produção de alimentos não acompanha a demanda. Para resolver a fome no mundo, pesquisadores buscam alternativas e uma das opções pode ser a comida artificial. Dois produtos chamam a atenção nesta área: o Soylent e a carne criada em laboratório.

O Soylent é uma fórmula que, quando misturada com água ou leite, se transforma em um substituto para refeições. Criado a partir de uma campanha de crowdfunding, o produto está sendo testado para ser usado como uma alternativa ao prato de arroz e feijão que estamos acostumados. Segundo seus criadores, por ser barato e fácil de transportar e armazenar, o Soylent pode “ter um efeito dramático sobre a fome e a má-nutrição”.

A carne criada em laboratório, por outro lado, é uma tentativa dos cientistas de aumentar a produção de comida sem necessariamente aumentar a criação de animais. O primeiro hamburguer sintético, criado a partir de células-tronco de uma vaca, foi testado pela primeira vez em agosto deste ano. Segundo quem experimentou a carne artificial, o sabor não é lá essas coisas. A carne sintética está em fase de desenvolvimento e ainda é muito cara para ser considerada uma alternativa à carne real.

Exploração espacial privada

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Mesmo com cortes no orçamento, a Nasa segue explorando o espaço e a sonda Curiosity, que esta desbravando o território de Marte, está aí para provar nosso ponto. Mas o futuro dos seres humanos no espaço não passa pelas agências governamentais, e sim por empresas privadas que estão desde já investindo muito para que nas próximas décadas qualquer pessoa (que tenha muito dinheiro) consiga fazer uma vistinha ao espaço.

O ínicio da exploração privada espacial se deu em 2001, quando o milionário Dennis Tito pagou US$ 20 milhões para passar uma semaninha a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). No ano seguinte, o empreendedor tecnológico Elon Musk fundou a SpaceX, que desenvolve foguetes e cápsulas espaciais para serem usados para transportar carga e passageiros ao espaço.

Em 2004, o magnata inglês Richard Branson, dono da companhia aérea Virgin, lançou a Virgin Galactic, que também tem como objetivo promover voos espaciais para turistas e colocar em órbita pequenos satélites. Neste ano, o turista espacial pioneiro Dennis Tito anunciou que irá financiar o desenvolvimento de uma missão tripulada até Marte, com previsão de lançamento em 2018.

Todas essas iniciativas ainda estão em fase de desenvolvimento e são caras, mas a tendência para as próximas cinco décadas é que mais empresas entrem nesse mercado, a tecnologia fique mais barata e a viagem espacial fique um pouco mais acessível.

Medicina regenerativa

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A medicina é uma área de avanços constantes, e as próximas décadas vão ser fundamentais para a área regenerativa. A impressão 3D de próteses já é uma realidade e várias empresas já desenvolvem mãos e pernas biônicas, juntas e até vias respiratórias de maneira personalizada.

Mas o maior avanço que a impressão 3D pode causar na medicina é no desenvolvimento de órgãos funcionais. As pesquisas neste sentido ainda estão em estágio inicial e testes estão sendo feitos em laboratório para comprovar a viabilidade da tecnologia.

Neste ano, cientistas já conseguiram criar fígados e rins humanos vivos e funcionais por meio da impressão 3D. Esses órgãos foram criados em tamanho reduzido, apenas para testes e pesquisas, mas funcionam da mesma maneira que os órgãos humanos.

Caso a tecnologia da impressão 3D de órgãos avance, haverá uma revolução no sistema de transplante de órgãos, diminuindo drasticamente o tempo de espera dos pacientes que estão na fila por um novo rim ou fígado.

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