Com a regulamentação do Uber sendo discutida na cidade de São Paulo, os taxistas parecem cada vez mais fora de controle. Depois de mais um caso de agressão a motoristas do Uber registrado na última madrugada, um sindicalista dos taxistas disse, com exatamente essas palavras, que “agora é cacete”.

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Na noite de ontem, taxistas protagonizaram mais cenas lamentáveis na noite paulistana. Na saída de um baile de carnaval organizado pela revista Vogue, motoristas de táxi abordaram carros pretos que paravam próximos ao luxuoso hotel Unique, com o objetivo de impedir que os convidados deixassem o hotel usando o Uber.

As cenas foram bem feias. À Folha, uma funcionária de um bar da região disse que era só alguém gritar “Uber” que um grupo de 15 a 20 taxistas cercava os carros pretos, subindo nos veículos e atirando pedras neles. A Folha também relata que alguns dos convidados que deixavam a festa eram forçados a sair de lá a bordo de um dos táxis que estavam em frente ao hotel.

Mas nem todos eram motoristas do Uber – o autônomo Francisco Carlos Indalecio diz que estava apenas levando amigos da filha à festa, e acabou tendo seu Ford Fusion danificado pelos taxistas.

Antonio Matias, presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores nas Empresas de Táxi de São Paulo (Simtetaxi) postou um vídeo no Facebook deixando bem claro qual será a estratégia dos taxistas daqui pra frente, e que podemos esperar novas cenas como as da última madrugada, se depender dos taxistas.

Os ânimos estão acalorados com a nova declaração do prefeito Fernando Haddad, a Simtetaxi mostrou repúdio e o presidente Antônio Matias mandou seu recado…

Publicado por Táxi em São Paulo em Quinta, 28 de janeiro de 2016

 

Matias se incomodou com uma declaração dada pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Na quinta-feira (28), Haddad disse que os taxistas “vão desaparecer pela concorrência predatória” se não aceitarem a regulamentação do Uber. Ele defende que só será possível fiscalizar a atuação do Uber na cidade com base na regulamentação.

Por isso, segundo Matias, “a palhaçada acabou”, e “agora é cacete”. Foi ele que, em junho passado, disse que “vai ter morte” na briga entre taxistas e motoristas do Uber.

Até pode ser que, em algum momento, as reclamações dos taxistas tenham sido válidas, mas já faz um bom tempo que eles parecem fazer mais propaganda negativa para o próprio serviço – e, consequentemente, fazer pessoas conhecerem e usarem o Uber.

Em nota, o Uber afirma que “repudia qualquer tipo de violência e lamenta profundamente a selvageria que ocorreu nesta noite de uma festa tão bonita”.

[Folha 1, 2, G1]