“É fácil inventar uma máquina voadora”, disse o engenheiro de aviação do século XIX Otto Lilienthal, “difícil é construir uma; fazer ela voar é tudo.” O desafio da viagem aérea (e depois da espacial) começou não montando aeronaves, mas sim construindo uma máquina de simulação realística para testar as aeronaves.

O mesmo aconteceu na NASA, nas suas primeiras tentativas. Quando visitei alguns anos atrás, os enormes galpões e locais de testes tinham em grande parte se tornado museus. Mas em um momento, aquelas superestruturas tinham a chave para mandar o homem em órbita. Grandes túneis, torres de andaimes enormes, e sítios de escavação foram a primeira evidência concreta do progresso para o espaço. Claro, os foguetes e naves espaciais roubaram o show – mas há um monte de realizações notáveis que acompanharam esse desenvolvimento.

Nesta semana, Maria Popova nos mostrou o arquivo de domínio público da NASA< onde dúzias de imagens dramáticas de alguns dos primeiros projetos estão arquivados. É fácil ver como esses espaços cinematográficos devem ter despertado a atenção de cineastas como Stanley Kubrick; alguns deles poderiam estar em um filme expressionista alemão, em que enormes paredes esculturais fazem o personagem parecer um anão. São imagens históricas, mas também são fotografias belíssimas. Confira algumas das melhores a seguir, ou vá ao arquivo ver a coleção completa. [NASA on the Commons via Brain Pickings]

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1927: Em Langley, este túnel de pesquisa de propulsores foi palco de testes para o primeiro avião de escala completa, o Sperry M-1 Messenger. O que vemos aqui é o “cone de saída”, onde o chefe de aerodinâmica Elton W. Miller está de pé.

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1931-34: Hangar One, na Estação Aérea Naval de Sunnyvale, foi uma das maiores construções desse tipo. Foi feita para abrigar o dirigível da marinha dos Estados Unidos (!), o USS Macon. O hangar poderia abrigar de campos de futebol, e tinha portas únicas que poderiam se “reverter” com a casca de uma laranja. Depois do Macon bater, se tornou uma instalação de treinamento.

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Outra imagem do Hangar One.

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1942: Esta imagem mostra a torre de resfriamento de um túnel de vento de alta velocidade de quase cinco metros.

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1943: Uma vista do cone de entrada do túnel de vento Ames com um dirigível ao fundo.

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1947: Aqui estamos olhando por dentro do maior túnel do mundo, o de Ames, com 12×24 metros. Na velocidade máxima, ventiladores de 12 metros de largura geravam vento a velocidades próximas a 180km/h. O modelo no topo parece pequeno – mas ele tem quase 15 metros de largura. Está montado sobre estacas porque está em fase de testes; a NACA prontamente fornecia os dados para os engenheiros norte-americanos de aeronaves.

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1948: Após a segunda guerra mundial, o Comitê Nacional para Aconselhamento sobre Aeronáutica (NACA) começou o boom de engenharia pós-guerra no Laboratório de Ames, na Califórnia. Este túnel de ventos de alta velocidade era onde novas ideias sobre engenharia aeroespacial nasciam nos anos 40.

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1950: Esta foto mostra a casa acústica do Túnel de Vento Supersônico original. O alojamento foi adicionado por causa de reclamações de vizinhos sobre o barulho – os engenheiros da NASA tiveram que construir uma área para amortecimento de ruído.

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Lembra dos cantos pontiagudos do túnel de vento acima? Era um desafio fazer o ar fluir suavemente através dos cantos, e por isso o engenheiros criaram essas lâminas estilo cata-vento (visto aqui no Túnel de Vento de Pressão em Langley), o que obrigava o ar a fazer curvas mais suavemente. Sem as palhetas, turbilhões prejudicariam os dados do teste.

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1956: Uma válvula de balanço de 7,3 metros de diâmetro em diferentes fases de abertura no túnel de vento supersônico.

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1957: Engenheiros dentro do túnel de vento supersônico observam um modelo de aeronave supersônica.

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“A plataforma de cardã”, explica a NASA, “foi projetada para simular os movimentos de uma cápsula espacial caindo e rolando e para treinar astronautas do Mercury para controlar e ativar jatos de nitrogênio usados em freios e recuperar o controle do veículo. Esta instalação foi construída no Centro de Pesquisa Lewis, agora Centro de Pesquisa John H. Hlenn em Lewis Field.”

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1962: Um modelo do Lockheed C-141 no túnel de dinâmica transônica, o primeiro túnel de teste aeroelástico do mundo – o que exigiu um túnel que pudesse simular rajadas. A NASA explica que “no fim dos anos 40, com o advento de aviões com asas finas e flexíveis, foi reconhecida a necessidade de testar modelos dinamicamente e elasticamente escalados de aeronaves. Em 1954, a NACA começou a converter o túnel de pressão de Langley para testes dinâmicos de estruturas de aeronaves. A antiga seção circular de testes foi reduzida, e as paredes de fenda foram adicionadas para operações transônicas. Um sistema de suporte foi concebido para liberar o modelo para campo e imersão quando as asas começaram a oscilar em resposta à corrente de ar flutuante.”

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1964: Este enorme sítio de escavação parecido com uma cratera foi escavado para criar a fundação para o A-2 test stand, que foi criado para testar e certificar para voo o sistema de reforço para a missão Apollo.

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1960-64 – Eis uma bancada de testes em construção – na verdade, é uma bancada de testes sendo completamente remodelada, já que as primeiras não eram grandes o suficiente para acomodar os estágios da Saturn V.