Ciência

2023 foi o ano mais quente dos últimos 100 mil anos, mostram dados

No Brasil, a cidade de Araçuaí (MG) chegou a registrar temperatura de 44,8ºC em novembro, o dia mais quente da história do país
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O observatório europeu Copernicus confirmou nesta terça-feira (9) algo que os cientistas já alertavam durante os últimos meses: o ano de 2023 foi +1,48º C mais quente do que a média da era pré-industrial em todo o mundo. Inclusive, ele foi o mais quente dos últimos 100 mil anos, conforme o próprio observatório já havia adiantado em dezembro.

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De acordo com o Copernicus, todos os dias do ano foram (no mínimo) 1º C mais quente do que o ano de 2022. Inclusive, em dois dias de novembro, ficaram 2°C mais quentes. Este novo recorde ultrapassa em +0,17° C o precedente, de 2016.

A temperatura média da superfície marinha, outro indicador fundamental, também está batendo recordes em todos os oceanos do mundo, advertiu Copernicus.

El Niño tornou dias mais quentes

Outro ponto que não pode ser ignorado é que 2023 também foi marcado pelo início do El Niño. Os cientistas estimam que ele tenha exercido uma pressão adicional no aquecimento global.

Entre junho e dezembro de 2023, o mundo registrou oito meses consecutivos de recordes mensais. Aliás, julho foi o mês mais quente registrado, seguido imediatamente por agosto.

O fenômeno deve alcançar seu máximo potencial em 2024. Segundo estimativa da Organização Meteorológica Mundial, o calor extremo que vem sendo observado desde junho deve continuar até pelo menos abril de 2024.

Hoje, a maior ferramenta global para tentar frear o aquecimento global, o Acordo de Paris, de 2015, visa limitar o aquecimento a 2 °C, e idealmente a não mais do que 1,5 °C. Contudo, o acordo não tem tido o efeito que os ambientalistas esperavam.

A taxa de aumento na temperatura global do ano passado só era estimada para acontecer no final deste século. Assim, por causa do ano mais quente da história, o gelo marinho da Antártida alcançou os menores níveis recordes durante oito meses do ano passado.

Além disso, estima-se que a Groenlândia perca 270 bilhões de toneladas de gelo a cada ano devido às mudanças climáticas. Dessa forma, isso contribui com uma parcela substancial do aumento do nível do mar, que sobe mais de 4 milímetros todos os anos.

Brasil sofre com calor extremo

No Brasil, a cidade de Araçuaí, no interior de Minas Gerais, localizada no Vale do Jequitinhonha, chegou a registrar a temperatura de 44,8ºC em novembro passado. Essa foi a maior temperatura já registrada no país. Anteriormente, o recorde era do município de Bom Jesus (PI), no dia 21/11/2005.

Além disso, nos últimos 30 anos, a média de dias em que o território brasileiro passou registrando ondas de calor aumentou de 7 para 52. Os dados são de estudo recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

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Gabriel Andrade

Gabriel Andrade

Jornalista que cobre ciência, economia e tudo mais. Já passou por veículos como Poder360, Carta Capital e Yahoo.

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