O sonho de imprimir prédios não é novo e, geralmente, nem é muito bonito. Mas os visionários da Branch Technology, uma startup fundada por arquitetos em Chattanooga, Tennessee, nos EUA, querem mudar isso construindo a maior impressora 3D de formato livre do mundo.

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A missão da Branch é simples: usar a tecnologia de impressão 3D para criar paredes de qualquer formato com materiais de construção convencionais. Construir casas como essas daria aos arquitetos mais liberdade para integrar novas geometrias aos designs, como formas inspiradas pela natureza. A maneira como a Branch imprime paredes não é muito diferente da forma como os ossos dos nossos corpos são estruturados: existe uma simples e leve armação na qual os materiais mais densos são adicionados, aumentando a força e integridade da estrutura como um todo.

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A armação preta é impressa em 3D, enquanto a espuma em spray, concreto e argamassa são aplicadas na construção. Na foto é possível ver um canto de uma janela que pode ser instalada.

Dito isso, apenas a armação básica na parede é impressa em 3D. A Branch reprogramou um robô de construção automotiva da Kuka para fazer dele a maior impressora 3D do mundo — uma máquina de movimentação rápida que constrói armações de plástico ABS reforçadas com fibra de carbono.

Cada parede é feita sob medida e pode se curvar ou inclinar da maneira que o arquiteto preferir. Disso, a armação leve é enviada para a construção onde todos os outros materiais — espuma de spray, placas de gesso, concreto, etc — são adicionados usando as mesmas ferramentas usadas hoje. Os empreiteiros podem finalizar as paredes da maneira que o arquiteto quiser.

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Essa é a parte que imprime.

“Quando a geometria não é um problema, você pode fazer praticamente tudo”, diz Platt Boyd, fundador e CEO da Branch, nos escritórios da Chattanooga. “Se um arquiteto pode nos enviar um arquivo de design original, nós podemos fabricá-lo”.

Boyd é um arquiteto premiado com credenciais LEED, então não é surpresa que ele veja na Branch um trabalho preciso e sem obstáculos, da mesma forma que os métodos de construção atual. A técnica não apenas permite a Branch vender paredes impressas em 3D sem a necessidade de reinventar o trabalho nas construções, como também garante que o produto final se parecerá como uma parede comum, se não melhor. As peças individuais “se encaixam feito Lego”, diz Boyd. A equipe da Branch também insiste que as paredes da companhia serão mais resistentes que as tradicionais — além de serem mais baratas para produzir.

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A armação impressa em 3D de uma parede amorfa à esquerda. E à direita, a versão finalizada de uma forma semelhante. Ela é resistente o suficiente para aguentar alguém sobre ela.

Este é um grande passo para a impressão 3D de prédios. Há pouco menos de um ano, arquitetos começaram a imprimir uma casa em Amsterdam, um projeto que levará três anos para ser finalizado. Ano passado, uma equipe na China se vangloriou por ter impresso dez casas em um único dia, embora chamar os pedaços de concreto de “casas” seja um pouco exagerado. O modelo da Branch enfatiza tanto velocidade quanto design, produzindo belas estruturas em período um pouco menor que processos normais de construção. A companhia também insiste que este modelo é mais realista que ideias exageradas como imprimir uma ponte no meio do ar.

A Branch diz que pode produzir 20 casas ao ano no atual centro de produção e espera expandir a companhia pelo mundo dentro dos próximos anos. Com mais arquitetos contribuindo com design, a Branch espera produzir uma biblioteca inteira para a empresa. A forma com que o software trabalha permite à companhia transformar um design em estrutura com apenas alguns comandos no teclado. Como Boyd diz, “Queremos ser o Shapeways da arquitetura”, referindo-se à empresa sob demanda de impressão 3D de pequenos designs.

A Branch começou muito bem. A companhia foi oficialmente lançada esta semana no Gigtank Demo Day, o programa de aceleração de Chattanooga. Inclusive, a Branch ganhou o Prêmio de Escolha do Investidor do Gigtank e anunciou a primeira competição de design para um casa impressa em 3D. Agora equipado com essa nova gigantesca impressora 3D, Boyd e equipe continuaram a trabalhar pela INCubator, uma das incubadoras mais antigas dos EUA, em Chattanooga. No mesmo prédio, diversas outras startups produzem novas formas de impressão 3D, criando de tudo, desde sensores até sapatos.

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A maior impressora 3D de formato livre e a parede que ela imprimiu.

Estruturas impressas em 3D baratas e onipresentes ainda são um sonho, mas um sonho cujas bases estão sendo desenhadas por companhias como a Branch. A pequena equipe de Tennessee tem muita competição de companhias baseadas na Holanda e na China, mas se eles forem bem sucedidos, este pode ser o princípio da produção americana.

Imagens: Adam Clark Estes