Promotores federais dos EUA “estão investigando criminalmente” a gigante chinesa de tecnologia Huawei por supostamente roubar os segredos comerciais de empresas americanas. O caso se baseia em parte em alegações levantadas em processos civis, informa o Wall Street Journal na quarta-feira.

Investigadores estão particularmente interessados ​​em uma disputa legal em 2014 entre a Huawei e a T-Mobile — como resultado, no ano passado, um júri de Seattle descobriu que a empresa chinesa era responsável por roubar projetos e peças para um robô secreto de testes de telefonia celular. O dispositivo, apelidado de “Tappy”, supostamente atraiu a atenção da Huawei depois que a T-Mobile contratou a empresa para fornecer telefones celulares:

Em um suposto alegado, dois funcionários da Huawei colocaram um terceiro em um laboratório de testes para tirar fotos não autorizadas do robô. Um funcionário também tentou esconder a ponta do dedo de “Tappy”[um componente que simula um dedo para executar testes em smartphones] atrás de um monitor de computador para que ele estivesse fora da visão de uma câmera de segurança, e então colocar a ponta do laboratório em sua bolsa de laptop, de acordo com o processo.

Esse funcionário admitiu mais tarde que levou o componente porque o departamento de pesquisa e desenvolvimento da Huawei acreditava que as informações melhorariam seu próprio robô, disse o processo.

A Huawei argumentou no tribunal que o “Tappy” não era um segredo, segundo o WSJ, com vídeos do robô presentes no YouTube e extensas informações técnicas já “publicadas em várias patentes”. No entanto, a Huawei perdeu o caso e teve que pagar algo em torno de US$ 4,8 milhões, pois o júri decidiu que o incidente constituiu uma quebra de contrato. A T-Mobile se descreveu como uma vítima em uma série de tentativas semelhantes de roubo de tecnologia.

O jornal também conta que fontes familiarizadas com o inquérito dizem que está em estágio avançado e se aproximando de uma possível acusação; nem o Departamento de Justiça nem a Huawei quiseram comentar oficialmente o caso. A Bloomberg informou mais tarde, ainda na quarta-feira (16), que suas próprias fontes confirmaram a história.

A Huawei já está enfrentando um escrutínio significativo dos EUA, que atualmente ainda está no meio de uma guerra comercial com a China. Isso inclui ter autoridades canadenses detendo sua diretora financeira (e filha de seu fundador, Ren Zhengfei) Meng Wanzhou para extradição sob acusação de supervisionar um esquema fraudulento para escapar das sanções ao Irã, uma medida que enfureceu o governo chinês.

Alegações separadas de que a Huawei poderia estar espionando em nome das agências de inteligência chinesas fizeram com que os EUA proibissem o uso de sua tecnologia para o trabalho do governo, além de impedi-la de instalar equipamentos de telecomunicações nos principais mercados. Outras restrições foram impostas por alguns aliados dos EUA.

No entanto, as autoridades de inteligência e segurança cibernética dos EUA não divulgaram provas concretas que envolvem a Huawei na espionagem (fato recentemente observado pelo chefe do Escritório Federal para a Segurança da Informação da Alemanha, Arne Schoenbohm).

Como o WSJ noticiou, há uma pressão crescente no Congresso para aprovar uma lei que proíbe a exportação de produtos dos EUA para empresas que violam as sanções internacionais — com a Huawei e a empresa de tecnologia chinesa ZTE claramente como alvos. O próprio Ren fez uma “rara aparição pública” na terça-feira, segundo o jornal, para emitir uma forte negação das alegações de espionagem:

“Nenhuma lei exige que qualquer empresa na China instale backdoors obrigatórios”, disse Ren Zhengfei, segundo o jornal. “Eu pessoalmente nunca prejudicaria o interesse de meus clientes e de mim, e minha empresa não responderia a tais solicitações.”

[WSJ]