Ciência

Alcoolismo faz com que inflamação da Covid-19 seja mais grave

Estudo identificou que células respiratórias de pessoas que abusam do álcool reagem de maneira exacerbada à infecção da Covid-19
Imagem: Vinicius "amnx" Amano/ Unsplash/ Reprodução

Durante a pandemia de Covid-19, especialistas listaram comorbidades que tornavam o quadro de infecção mais grave, colocando em maior risco as pessoas contaminadas. Agora, um novo estudo da Escola de Medicina da Universidade Emory e da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, identificou que o abuso de álcool também tem um papel nesse processo. 

Segundo a pesquisa, o consumo em excesso de álcool faz com que as vias respiratórias se inflamem mais que o comum depois da infecção por Covid-19. Assim, pessoas com transtorno de alcoolismo tendem a ter manifestações mais graves da doença durante as fases iniciais.

Os resultados foram publicados no American Journal of Physiology-Lung Cellular and Molecular Physiology

Entenda a pesquisa

De modo geral, pessoas com transtorno do uso de álcool que também tiveram Covid-19 apresentaram taxas mais altas de hospitalização e morte. Pensando nisso, o pneumologista Michael Koval e sua equipe buscaram compreender quais os efeitos do abuso de álcool na resposta à doença.

Para analisar isso, eles isolaram células das vias respiratórias de pessoas com e sem transtorno do uso de álcool. Em seguida, os pesquisadores cultivaram essas células, de modo que criaram um modelo de tecido pulmonar. Então, sequenciaram o RNA da amostra para medir os efeitos do álcool no sistema respiratório. Por fim, infectaram as células cultivadas com o vírus SARS-CoV-2 e mediram a produção de fatores inflamatórios. 

Como resultado, os cientistas observaram que as células das vias respiratórias pulmonares de pessoas com transtorno do uso de álcool desenvolveram “inflamação aprimorada” três dias após serem infectadas pela Covid-19. De acordo com a pesquisa, o tecido pulmonar desses indivíduos já apresentavam características pró-inflamatórias. Após a infecção, esse padrão foi amplificado. 

Em comparação, as células de pessoas sem transtorno do uso de álcool não tiveram tamanha inflamação. E ainda mostraram uma resposta protetora não observada nos indivíduos com transtorno alcoólatra.

Bárbara Giovani

Bárbara Giovani

Jornalista de ciência que também ama música e cinema. Já publicou na Agência Bori e participa do podcast Prato de Ciência.

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