O Alpha Go, inteligência artificial do Google especialista no jogo mais complexo que já criamos, está se aposentando em grande estilo. Depois de vencer pela terceira vez consecutiva Ke Jie, líder do ranking de melhores jogadores de Go no mundo, e bater um time com cinco dos melhores jogadores no Future of Go Summit, em Wuzhen, na China, o pessoal da DeepMind anunciou que essas foram as últimas partidas de sua IA.

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Em um comunicado, o co-fundador e CEO da DeepMind Demis Hassabis disse que os últimos eventos representaram “o auge para o AlphaGo como um programa competitivo”. A companhia, baseada em Londres, na Inglaterra, foi comprada pelo Google em 2014 por cerca de US$ 500 milhões e utilizou o famoso jogo de tabuleiro chinês como plataforma para mostrar suas capacidades.

Afinal, o Go é um jogo imensamente complexo, que exige estratégias constantes e capacidade de prever os movimentos do oponente e responder a eles, além de um certo grau de imprevisibilidade para que você não seja dominado. O AlphaGo conseguiu tanto imitar padrões humanos como buscar por meio de 10 elevado à potência de 700 variações de movimentos de jogo possíveis para determinar a melhor maneira de derrotar seus competidores.

O investimento no jogo não busca apenas provar a capacidade da máquina, mas também incentivar investimentos na área. Em março do ano passado, a Coreia do Sul anunciou que iria injetar US$ 860 milhões em inteligência artificial após a derrota de um jogador do país.

Com a aposentadoria do AlphaGo, o time da DeepMind irá focar em outros produtos. “O time de pesquisa por trás do AlphaGo vai colocar sua considerável energia no próximo conjunto de grandes desafios, desenvolvendo algoritmos avançados em geral que podem um dia ajudar cientistas a superar alguns dos nossos problemas mais complexos, como encontrar novas curas para doenças, diminuir dramaticamente o consumo de energia ou inventar materiais revolucionários. Se sistemas de inteligência provarem que conseguem descobrir novos conhecimentos e estratégias significativas nesses domínios também, as conquistas podem ser verdadeiramente notáveis. Mal podemos esperar pelo que vem por aí”, disse Hassabis em um comunicado.

A DeepMind já está trabalhando em soluções que não envolvem o jogo de tabuleiro. No ano passado, foi firmada uma parceria com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido que procura ajudar cientistas e médicos com novos diagnósticos. Mas, como nota o TechCrunch, a iniciativa tem sido criticada por compartilhar acesso a dados de saúde de identificação pessoal de cerca de 1,6 milhão de pacientes com uma empresa com fins lucrativos. O acordo está sob investigação de um órgão governamental britânico, o ICO.

Como essas foram as últimas partidas competitivas do software, a companhia vai liberar os dados dos 50 jogos da inteligência artificial jogando contra si mesma. Com isso, a comunidade de Go poderá estudar suas estratégias. A DeepMind também lançará uma ferramenta para que as pessoas possam aprender a jogar Go, e Ke Jie está colaborando com esse projeto.

Imagem do topo: Google