A Amazon afirmou que pretende contestar uma multa de US$ 886 milhões imposta por um regulador de privacidade da União Europeia que diz que a empresa viola a privacidade dos usuários com suas tecnologias de publicidade.

Tudo começou quando uma comissão de proteção de dados em Luxemburgo, onde a Amazon está sediada na Europa, determinou que a empresa não cumpriu as regras do Regulamento Geral de Proteção de Dados sobre o processamento de dados pessoais. A multa gerada foi recorde e se referiu ao manuseio incorreto de dados pessoais protegidos pela lei de privacidade do bloco, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR).

A decisão também exigiu que a Amazon faça mudanças em suas práticas. Por sua vez, a gigante do varejo informou que pretende se defender “vigorosamente neste assunto”. Um porta-voz da empresa disse que a investigação não estava relacionada a nenhuma violação de dados e que nenhum dado do cliente foi obtido por terceiros. “Esses fatos são indiscutíveis”, afirmou o porta-voz.

“A decisão relativa à forma como mostramos aos clientes publicidade relevante depende de interpretações subjetivas e não testadas da lei de privacidade europeia, e a multa proposta é totalmente desproporcional até mesmo com essa interpretação”, acrescentaram.

A multa equivale a cerca de 4% do lucro líquido declarado da empresa no ano passado de US$ 21,3 bilhões. A estrutura para multas sob a lei de privacidade de 3 anos pode se estender a 4% da receita anual global de uma empresa no ano anterior, uma quantia significativamente maior neste caso. A receita informada da Amazon foi de mais de US $ 386 bilhões em 2020, um aumento de mais de 37% em relação ao ano anterior.

O regulador da UE não respondeu imediatamente a um pedido de comentário e a decisão ainda não foi publicada em seu site. Mas a Amazon parece pronta para apelar a decisão, embora os fundamentos não sejam claros. As empresas multadas de acordo com o GDPR podem apelar no tribunal quando acreditam que a multa é excessivamente grande ou em um esforço para contestar a integridade de uma investigação.

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Até o momento em que esta reportagem foi escrita, as ações da Amazon estavam em uma queda acentuada que começou com uma desaceleração de 6% durante as negociações pré-mercado, embora o caso de privacidade possa desempenhar um papel mínimo, na melhor das hipóteses. Os repórteres financeiros citaram uma previsão de receita não atendida, o aumento do custo operacional vinculado à pandemia Covid-19 e o fraco crescimento das vendas como a causa principal.