Após levar os primeiros turistas ao espaço, Jeff Bezos agora quer alçar voos ainda maiores. Em uma carta aberta publicada nesta segunda-feira (26), a empresa espacial do ex-CEO da Amazon, Blue Origin, está oferecendo bilhões de dólares à NASA para levar astronautas para a Lua. A agência espacial americana já tinha um contrato firmado com a SpaceX, de Elon Musk, para o mesmo objetivo, mas que, por enquanto, está suspenso.

“Estamos convencidos que, para avançar com o futuro da América no espaço, a NASA precisa se assegurar rapidamente de retornar à Lua. Tudo o que a agência precisa fazer é tirar proveito desta oferta”, escreve Bezos na carta endereçada ao administrador da NASA, Bill Nelson.

O contrato ofertado pela Amazon é de US$ 2 bilhões, o equivalente a R$ 10,3 bilhões na conversão direta. Esse valor seria destinado para custos operacionais nos primeiros dois anos da produção de uma sonda lunar. Se a NASA conceder o projeto à Blue Origin, a empresa espacial de Bezos se compromete a pagar 100% dos valores, também nos dois primeiros anos da missão. Além disso, a companhia diz querer trabalhar com um contrato de preço fixo, o que significa que, mesmo se a NASA ultrapassar o teto de gastos original em futuros projetos, a agência não precisaria pagar por qualquer excesso de custo.

Por falar em missão, a Blue Origin também se oferece para desenvolver e lançar uma missão específica de exploração de descobertas na Lua. “Ao contrário da [missão] Apollo, nossa abordagem é projetada para ser sustentável e crescer em operações lunares permanentes e acessíveis”, destacou Bezos. O protótipo usa hidrogênio líquido como combustível e “será essencial para operações futuras” no satélite — o elemento poderia ser extraído na Lua.

SpaceX tinha contrato parecido com a NASA

A oferta da Blue Origin é mais barata do que o contrato da NASA com a SpaceX. Em abril de 2021, a empresa de Elon Musk foi anunciada para construir o módulo de pouso da missão Artemis, que prevê levar astronautas de volta à Lua até 2024. Menos de um mês depois, em maio, o contrato de US$ 2,89 bilhões (R$ 14,9 bilhões) foi suspenso depois que concorrentes da SpaceX, incluindo da Blue Origin, contestaram o documento junto ao governo dos EUA.

Por conta dessa suspensão, a Blue Origin fez uma oferta mais em conta e que, a princípio, parece mais vantajosa. O próprio Bezos, na carta enviada à agência espacial, acredita que a melhor decisão é que duas ou mais empresas construam máquinas para levar astronautas ao satélite natural da Terra, em vez de uma única companhia ficar responsável por todo o trabalho.

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“Em vez de uma abordagem de fonte único, a NASA deveria abraçar sua estratégia original de competição. A competição impedirá que qualquer fonte única tenha uma influência intransponível sobre a NASA. Sem competição, a NASA se verá com opções limitadas enquanto tenta negociar prazos perdidos, mudanças de projeto e excessos de custo. Sem competição, as ambições lunares de curto e longo prazo da agência custarão mais caro e não servirão ao interesse nacional”, disse Bezos.

A NASA, por sua vez, forneceu contratos de 10 meses para a SpaceX, Blue Origin e Dynetics. As empresas teriam de desenvolver conceitos de módulos lunares para que a agência pudesse escolher qual deles mais se adequa às exigências do órgão.

[Blue Origin, Business Insider]