A American Airlines disse nesta quarta-feira (9) que espera voltar a voar as aeronaves Boeing 737 Max em 16 de janeiro de 2020, bem depois do que a companhia esperava, após a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) e o Departamento de Transportes do país assinarem as revisões destinadas a consertar as falhas que causaram a morte de 346 pessoas em dois acidentes, um na Etiópia e outro na Indonésia.

Dando uma olhada na concorrência nos EUA, a United Airlines disse que não contaria com as aeronaves 737 Max até 19 de dezembro de 2019, enquanto a Southwest Airlines não deve voar com o avião até 5 de janeiro de 2020, de acordo com o Washington Post.

O atraso, mais de um mês após o projetado pela companhia, faz da American a última companhia aérea a voltar a voar com as aeronaves. Obviamente, nem tudo pode ocorrer como planejado.

Toda a linha 737 Max está sem voar desde março. Nesse ínterim, houve alegações de que a Boeing apressou o avião com um projeto defeituoso (particularmente o MCAS, Maneuvering Characteristics Augmentation System), de que não implementou sistemas de segurança mais fortes, de que a FAA não inspecionou adequadamente os aviões. A Boeing insiste que resolveu esses problemas com várias reformas.

A companhia aérea disse em um comunicado ao Washington Post que “a American Airlines antecipa que as atualizações iminentes de software para o Boeing 737 Max levarão à recertificação da aeronave ainda este ano e a retomada do serviço comercial ocorrerá em janeiro de 2020. Estamos em contato contínuo com a FAA e o Departamento de Transportes”. No entanto, em um outro comunicado ao jornal norte-americano, a FAA disse que não há um “cronograma prescrito” para o retorno do 737 Max ao serviço e não havia informado as companhias de que existe uma data em específico.

A Bloomberg relatou nesta semana que reguladores europeus não estão satisfeitos com as mudanças que a Boeing propôs e que esperam o ok da FAA, o que pode significar que o avião retornará ao serviço sem o apoio deles. Autoridades de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) disseram a colegas norte-americanos que um elemento das correções, com dois computadores de controle de vôo operando simultaneamente, vai contra décadas de design e não foi testado adequadamente, segundo a agência de notícias.

Um porta-voz da EASA, no entanto, negou que a agência tivesse “preocupações específicas” que a levariam a contradizer as conclusões dos EUA sobre a segurança futura do 737 Max. O sindicato dos pilotos da Southwest, no entanto, recentemente entrou com uma ação argumentando que a Boeing deliberadamente colocou os lucros à frente da segurança e “tomou uma decisão calculada de levar sua aeronave ao mercado para garantir sua participação no mercado e priorizar seus resultados”.

No Brasil, o posicionamento da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) continua o mesmo desde março, quando suspendeu as operações do modelo implicado na morte de mais de 300 passageiros. A Gol, a única empresa brasileira com aviões 737 Max, também suspendeu por tempo indeterminado os voos com a aeronave.

A Boeing teve de pagar US$ 4,9 bilhões pelo prejuízo das companhias aéreas por não poderem voar as aeronaves do modelo 737 Max, além do custo dos reparos no início deste ano. A linha 737 Max chegou a ser o avião mais vendido da Boeing, mas após as duas quedas e a proibição de voo, as vendas caíram significantemente e o fabricante finalizou apenas algumas vendas da sua divisão de jatos executivos.