Antes da divulgação de seus resultados financeiros, previsto para a próxima semana, a Boeing disse nesta quinta-feira (18) que terá uma despesa US$ 4,9 bilhões, após os impostos, relacionada aos aviões 737 Max.

A companhia informou em uma atualização que a cobrança está relacionada a “uma estimativa de potenciais concessões e outras considerações” para seus clientes que foram forçados a continuar remarcando seus horários de voo sem um final claro à vista. A empresa disse que a despesa resultaria em um impacto de US$ 5,6 bilhões na receita e no lucro, sem considerar os impostos no trimestre.

“Continuamos concentrados em fazer com que os 737 Max voltem a operar”, disse o presidente e CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, em um comunicado. “Este é um momento decisivo para a Boeing. Nada é mais importante para nós do que a segurança das tripulações de voo e passageiros que voam em nossos aviões. A paralisação de voos do 737 Max apresenta ventos contrários significativos e o impacto financeiro reconhecido neste trimestre reflete os desafios atuais e ajuda a enfrentar futuros riscos financeiros.”

A Boeing informa que estima que o 737 Max voltará a operar “no início do quarto trimestre” deste ano, mas revisões regulatórias estão em andamento e é possível que eles só voltem ao ar no início do próximo ano. Citando autoridades da FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) e líderes de sindicatos, o Wall Street Journal informou nesta semana que o 737 Max pode não ser aprovado para voos comerciais antes de janeiro de 2020.

A FAA informou em junho que estava “seguindo um processo minucioso, não um cronograma, para devolver o Boeing 737 Max às operações com passageiros”, acrescentando que suspenderá a proibição quando puder determinar que o avião é seguro. A agência está em processo de revisar uma atualização de software e procedimentos de treinamento de pilotos após dois acidentes mortais que resultaram na morte de centenas de pessoas.

Enquanto isso, as companhias aéreas com o 737 Max em suas frotas — incluindo uma série de transportados — foram repetidamente forçadas a cancelar voos como resultado das revisões. Mais recentemente, a United Airlines disse que estava estendendo os cancelamentos de voos até a primeira semana de novembro, com a American Airlines seguindo o exemplo no início desta semana.

No Brasil, a companhia Gol, que conta com jatos 737 Max em sua frota, disse em um comunicado recente que está acompanhando os fatos relacionados à Boeing, mas que ainda não tem uma data definida para voar com as aeronaves.

A Southwest Airlines, na quinta-feira (18), também anunciou que estava revisando seu cronograma de voos até o dia 2 de novembro, citando uma data “incerta” para o retorno do 737 Max ao serviço comercial.

“A revisão removerá proativamente cerca de 180 voos diários de nossa programação de nosso horário total de pico, que soma mais de 4 mil voos diários”, disse a companhia em um comunicado. “Oferecemos nossas desculpas aos nossos clientes impactados por essa mudança e agradecemos a eles pela paciência contínua”.