Com a quarentena imposta como modo de desacelerar o espalhamento do novo coronavírus, muita gente teve que recorrer a videoconferências para reuniões e até para matar a saudade dos amigos e familiares. O app Zoom teve uma alta impressionante no número de usuários, mas, junto com isso, veio um escrutínio sobre suas falhas de segurança. E isso começa a ter repercussões negativas: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso da ferramenta em seus computadores.

A decisão se justifica. Nesta segunda-feira, uma coletiva de imunologistas organizada pela Sociedade Brasileira de Imunologia foi invadida. Segundo a Folha, após 50 minutos, começaram a aparecer interferências no áudio e imagens nazistas.



Essa prática é conhecida como “zoombombing”: como o Zoom cria videoconferências em que só é necessário clicar no link para entrar e participar, invasores entram em reuniões para “trollar” e transmitir pornografia, insultos raciais ou, como foi o caso, imagens de cunho nazista. Isso se tornou um problema tão grave nos EUA que até o FBI se manifestou sobre o assunto.

A Anvisa também não está sozinha nesta decisão. Antes dela, a cidade de Nova York proibiu o uso do app por escolas e estudantes após invasões de pornografia. A SpaceX, empresa privada de exploração espacial que tem Elon Musk como CEO, também baniu o uso da ferramenta.

A Zoom teve um aumento expressivo de usuários no último mês. A ferramenta, que tinha 10 milhões de usuários ativos diários em dezembro, saltou para 200 milhões em março. Isso fez com que vários problemas de segurança e privacidade do app chamassem a atenção.

Além do zoombombing, a ferramenta foi criticada por monitorar sem permissão qual janela está ativa no computador de um participante da conferência e avisar para o anfitrião quando a chamada não está em primeiro plano. Vulnerabilidades da plataforma também permitiam roubar até as credenciais do Windows dos usuários.

A Zoom admitiu que o aplicativo ficou devendo em termos de segurança e privacidade. A empresa pausou o lançamento de novos recursos por três meses e vai se concentrar em corrigir as falhas.

Enquanto isso, a concorrência se mexe: o Skype, da Microsoft, está divulgando o recurso Reunir Agora, que permite criar videoconferências e enviar links para que os participantes entrem mesmo sem ter cadastro na plataforma ou o aplicativo instalado. A ferramenta já existia faz tempo, mas era pouco conhecida, o que permitiu que o Zoom ganhasse terreno.