A Apple já declarou seu apoio à igualdade e ao movimento Black Lives Matter, com o CEO Tim Cook tendo escrito uma declaração intitulada Speaking Up on Racism (algo como “Falando com clareza sobre Racismo”) em junho. Mas mais recentemente, a Apple liberou uma atualização para um guia de estilo buscando melhorar o tipo de linguagem usada em seus produtos e em toda a empresa.

Para aqueles que não estão familiarizados com os guias de estilo, eles são um conjunto de regras e diretrizes que as organizações criam para ajudar a ditar como a linguagem e o design serão apresentados para melhor corresponder às metas e crenças da organização. Mais especificamente, os guias de estilo são úteis ao tentar decidir entre palavras com múltiplos significados, grafias ou até o formato de datas.

Juntamente com as diretrizes para termos mais técnicos e específicos da Apple, como Wi-Fi ou HomePod, a Apple fez algumas mudanças em seu guia de estilo para ajudar a promover uma linguagem mais inclusiva em seus dispositivos — e até mesmo em sua linguagem de programação.

O exemplo mais óbvio disso é usar a inicial maiúscula para se referir aos Negros em vez de usar um “n” minúsculo quando se referir a “Pessoas Negras ou Cultura Negra”. A Apple também instruiu os funcionários a evitar usar “whistelist e blacklist” e substituir essas palavras por termos como “approved list ou deny list”, para ajudar a evitar implicações de valor em cores distintas.

No entanto, a mudança mais significativa em todo o guia de estilo vem da direção para evitar o uso da terminologia “master/slave” (mestre/escravo) ao se referir à hardware ou processos.

Por décadas, engenheiros da computação usaram master e slave para especificar coisas como qual unidade de armazenamento seria usada para boot e qual era o volume adicional, com o uso de master e slave também sendo usados em comandos de código no computador. No entanto, como inúmeras linhas de código já tem esta linguagem, é difícil eliminar completamente seu uso sem potencialmente quebrar milhões de aplicativos e dispositivos.

Dito isto, para criar uma atmosfera mais inclusiva, a Apple orientou a empresa a evitar o uso de master e slave sempre que possível, e quando não pode ser evitado no código, a Apple quer que os funcionários “mostrem um exemplo de código para esclarecer o que os usuários deveriam usar, mas você deve ainda usar termos alternativos na documentação”.

A Apple incluiu uma linha de código de exemplo para demonstrar como é isso:

O controlador de visualização principal (MasterViewController) mostra as visualizações e os controles disponíveis.

Embora alguns possam argumentar que o uso desses termos é separado e não está relacionado às relações raciais, como existem nos EUA e em outras partes do mundo, é difícil negar que são termos antiquados que precisavam de atualização. Se você deseja fazer uma atualização, por que não remover nenhuma conexão com significados ou conotações negativas?

Portanto, embora a Apple e Tim Cook já tenham prometido US$ 100 milhões para a criação de uma iniciativa por equidade e justiça racial, mudanças internas como essa são importantes quando se trata de apoiar a igualdade no futuro.