Tendências tecnológicas vêm e vão, mas algumas delas acabam permanecendo no nosso dia a dia, como a criptografia, a inteligência artificial ou o blockchain. Já outras surgem, desaparecem e depois são ressuscitadas. Este é o caso do Metaverso.

Por mais que o conceito de ambientes virtuais exista desde a década de 1990, nas últimas semanas, o Metaverso tem conquistado amplo espaço na imprensa. E quando há exposição na mídia, as grandes marcas buscam se aproveitar do assunto da moda.

É o caso da Lacta, que acaba de inaugurar uma loja virtual dentro do Metaverso. Desenvolvida pela ByondXR, o objetivo é aproveitar o hype e a aproximação do Natal para chamar a atenção de potenciais consumidores. A experiência virtual, disponível através de um site, permite navegar pela loja, jogar um minigame, acessar redes sociais da empresa e, é claro, comprar produtos.

“Por meio da gamificação e de recursos interativos, a Loja Lacta proporciona uma experiência mais divertida, que permite interações como responder a um quiz para receber as sugestões de presente ideal para cada amigo ou familiar, ou participar de jogos para receber descontos ou um prêmio especial”, explicou a empresa em comunicado.

Entretanto, a Lacta não é a única a investir no Metaverso. Em junho passado, a Renner, por exemplo, fechou uma parceria com a eBrainz para também lançar uma loja virtual, mas dentro do universo do jogo Fortnite. A ideia da empresa de vestuário foi utilizar minigames interativos para atrair jogadores e impulsionar as vendas. Batizado de “Renner Play”, o estabelecimento virtual foi disponibilizado em todas as versões do jogo, incluindo console, smartphone e online.

A Nike também criou recentemente a Nikeland, um espaço imersivo dentro do game Roblox que busca ampliar a interatividade dos jogadores com a marca. Para a novidade, a empresa chegou a solicitar um registro de patente para o uso da marca em ativos virtuais, como bolsas, mochilas, óculos e bonés.

Também na Roblox, grandes marcas como Vans, Balenciaga e Louis Vuitton estão explorando esse universo virtual A Gucci, por exemplo, já chegou a vender uma bolsa dentro do game por mais de R$ 20 mil.

O mesmo caminho será seguido em breve por big techs. A Microsoft já anunciou que pretende explorar o Metaverso dentro da plataforma Teams, possibilitando que empresas realizem reuniões online com bonecos digitais interativos e em 3D.

Nova velha tendência

Em outubro, o Metaverso ganhou fama após Mark Zuckerberg anunciar que estava rebatizando a empresa Facebook, passando a ser chamada de “Meta”. Muito além da simples mudança de nomenclatura, o objetivo da marca é reforçar um novo paradigma da empresa, que terá como foco a criação de ambientes virtuais na internet.

Por mais que pareça algo novo, o conceito de Metaverso já existe há décadas. Em 2003, por exemplo, o Second Life ganhou fama por, justamente, oferecer o acesso de usuários a ambientes virtuais por meio de um software conectado à internet.

E – assim como agora – as empresas também viram no Second Life uma oportunidade de marcar presença. Na época, marcas passaram a alugar espaços virtuais para interagir com os usuários – ou melhor, avatares.

A TV Globo, por exemplo, chegou a realizar uma festa no ambiente virtual para marcar o lançamento da novela “Sete Pecados”, em 2007. Já a IBM mantinha funcionários 24 horas por dia para interagir com avatares em 12 línguas – inclusive em Português – que visitavam o espaço da empresa no Second Life. Ações publicitárias semelhantes também foram feitas tanto por marcas internacionais, como Coca-Cola, Sony e Nokia; assim como as nacionais, Bradesco, Claro, Ipanema FM.

Entretanto, a novidade acabou perdendo força e foi caindo no esquecimento.

A retomada do Metaverso ocorreu mais recentemente, com a popularização dos games do tipo MMO, que criaram universos onde as pessoas podem não apenas jogar, mas também interagir com outros jogadores e vivenciar experiências reais em ambientes digitais.

Dessa forma, as recentes iniciativas da Lacta, Renner e Nike são apenas o início do que pode vir por aí. Porém, elas não são as primeiras a entrarem no mundo do Metaverso, e tampouco serão as últimas.

Em resumo, se a pandemia popularizou o e-commerce, o Metaverso vai impulsionar as compras virtuais.