O asteroide que atingiu a Terra 65 milhões de anos atrás não foi uma droga apenas para os dinossauros. Ondas de choque provavelmente teriam derrubado árvores, incêndios teriam queimado florestas inteiras, e a menor quantidade de luz teria significado menos plantas. E se você fosse um pássaro que vivesse nessas árvores?! Essa era a sua casa!

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Uma nova pesquisa mostra como o impacto teria decidido quais espécies sobreviveram e quais se extinguiram. Sem árvores, só os pássaros terrestres teriam sobrevivido. Isso certamente teria um profundo impacto sobre os tipos de espécies que ainda existem hoje — um empecilho na história da evolução que mudou o curso da vida para sempre.

“A eliminação das florestas basicamente deixou uma assinatura de longo prazo na história evolutiva das aves”, disse ao Gizmodo o autor do estudo, Daniel J. Field, um paleobiólogo evolucionário da Universidade de Bath. “Nós achamos que apenas espécies de aves não-arbóreas seriam capazes de sobreviver.”

Os pesquisadores levantaram sua hipótese, publicada na Current Biology, examinando uma série de pontos de dados. Por exemplo, o pólen de árvore desapareceu do registro fóssil por mil anos depois do impacto do asteroide. Os fósseis de pássaros daquele período de tempo parecem consistir apenas com as aves terrestres. Junte tudo isso, e a história emerge: um asteroide atingiu a Terra e varreu as árvores, significando um beco sem saída evolucionário para qualquer ave que não pudesse sobreviver em outro lugar.

Você talvez questione por que existem tantos pássaros que habitam as árvores hoje. Parece que, uma vez que as florestas voltaram, houve uma enorme diversificação de espécies, e os pássaros teriam aproveitado os novos nichos e os colonizado rapidamente, disse Field.

Outros cientistas disseram que esta pesquisa é uma maneira interessante de contar a história evolutiva após a extinção em massa. “Este artigo apresenta uma explicação intrigante para por que apenas algumas linhagens de aves sobreviveram ao evento de extinção em massa e depois se diversificaram tremendamente em resposta a habitats em recuperação”, disse Sushma Reddy, professora assistente de biologia na Universidade Loyola de Chicago, que não esteve envolvida no estudo, em entrevista ao Gizmodo. “Isso estabelece uma nova hipótese a ser testada conforme mais fósseis são descobertos.”

Mas a ausência de evidências não é a evidência da ausência — só porque você não encontra algo não significa que não esteja lá. Pode haver mais para a história ainda descobrir. “Para os fósseis que conhecemos, isso se encaixa na hipótese apresentada aqui. No entanto, as aves são conhecidas por terem um registro fóssil muito limitado”, disse Reddy. Talvez haja mais evidências para apoiar a hipótese em outros grupos de animais, como mamíferos.

Ainda assim, extinções em massa são páginas importantes no livro da história da Terra. A vida sempre encontra um jeito.

[Current Biology]