Jiboia, cascavel, sucuri, coral-verdadeira. O Brasil, um dos campeões mundiais no quesito biodiversidade, conta com uma série de cobras com características e hábitos diferentes. Algumas preferem árvores, outras passam a vida inteira em túneis subterrâneos e outras famílias se dão muito bem na água. 

Mas nem sempre foi assim. Pelo menos é o que aponta um artigo de pesquisadores da  Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) publicado na Plos Biology. Segundo a pesquisa, o aumento na diversidade e complexidade das cobras só ocorreu após a extinção em massa do final do período Cretáceo. 

Você já conhece a história. O asteroide que atingiu o planeta e foi responsável pela extinção dos dinossauros deu início a um período de oportunidade ecológica na história da Terra. E isso vale também para os répteis.

De acordo com a pesquisa, das quase quatro mil espécies de cobras, a maioria teve origem após o evento. Para chegar a esse resultado, a equipe analisou informações de 882 espécies de cobras vivas — muitas delas mantidas em coleções de museus — e aplicou um modelo matemático para reconstruir as dietas de seus ancestrais. 

Michael Grundler, pesquisador da UCLA e um dos autores do estudo, disse em entrevista à Ars Technica que a equipe optou por esse método porque é raro encontrar fósseis de cobra para que pudessem ser estudados. “

Não é algo como um grande mamífero ou um grande dinossauro que tem quatro membros e os ossos são bastante robustos. Com as cobras, você tem todas essas vértebras frágeis e o crânio é bastante sensível também.”

Segundo o novo modelo, o ancestral comum mais provável para todas as espécies de cobras existentes era um insetívoro — que se alimenta de insetos. Antes da extinção em massa, provavelmente havia cobras que comiam roedores e outros animais menores. Depois que o asteroide atingiu, no entanto, a maioria desses répteis talvez tenham morrido, embora isso ainda seja incerto, de acordo com a pesquisa. 

Ainda assim, aponta o estudo, as cobras restantes se diversificaram em muitas espécies diferentes. Isso provavelmente ocorreu porque muitos nichos (alimentares e de habitat) foram deixados em aberto — prontos para serem ocupados por novos indivíduos. Com a variedade das cobras, veio uma diversidade crescente em termos de dieta.

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Um outro artigo, publicado na BMC Ecology and Evolution, corrobora com a descoberta dos pesquisadores, a partir da análise genética de alguns – poucos – registros fósseis. 

A nova pesquisa também sugere que o aumento da biodiversidade de cobras foi muito menor para a maioria das espécies à medida que se instalaram em seus novos habitats. Apesar disso, quando elas se alojaram em seus novos locais, continuaram a se adaptar de diversas maneiras. Não à toa, as cobras modernas têm uma variedade enorme e surpreendente de dietas.

O sucesso das cobras é importante para a saúde dos ecossistemas, já que elas são responsáveis por controlar as populações de presas e ajudam os humanos no controle de pragas.