O mundo das caixinhas de conteúdo no Brasil ainda é bem limitada: a grande mágica de opções como o WDTV Live, da Western Digital ou do Free Agent Theater HD, da Seagate, ainda é a transmissão de filmes que estão num HD, pen drive ou qualquer outra opção física. Mas, pelo menos nos EUA, a tendência é que o streaming domine de vez o mercado de entretenimento. E uma dessas caixinhas pensadas para a nuvem chega ao Brasil em 2011: a Boxee Box, da D-Link, recém-lançada lá fora. E nós já temos alguns palpites de como será essa interação além do conteúdo baixado de torrents e afins.

A D-Link confirmou que a Boxee Box chega ao país em abril de 2011, ainda sem preço estipulado (ela custa U$200 nos EUA). Para quem já mexeu em sua interface, baseada no software XBMC, sabe que o foco é a nuvem. E apesar de não confirmar, acreditamos que a D-Link esteja preparando no mínimo uma parceria para seu lançamento. Recentemente, a locadora virtual NetMovies anunciou uma promoção conjunta com roteadores da D-Link, dando três meses de assinatura para os compradores de modelos específicos da marca.

E aí pode morar o primeiro casamento digno de hardware e software para transmissão de conteúdo via streaming no Brasil. A NetMovies, que já tem uma versão on demand de sua locadora, acredita no potencial do formato. E, para a D-Link, um lançamento em parceria que elimine as barreiras da mídia dentro da casa pode ser o necessário para alavancar o mercado no Brasil. Poder acessar o acervo pelo controle remoto e alugá-los sem sofrimento é o sonho de muitos adeptos do sofá.

Apesar de ainda termos sérios problemas de banda larga no Brasil, várias empresas começam a apostar no conteúdo em nuvem. O Terra, por exemplo, expandiu o serviço do Sonora e estreou recentemente sua locadora virtual, claramente inspirada no sucesso do Netflix nos EUA. A Telefônica também já tem seus planos de venda e aluguel de conteúdo, e a entrada no mercado junto com as caixinhas mágicas é uma das soluções mais interessantes, já que a distribuição de conteúdo para as TVs ainda depende de conectar seu notebook via HDMI ou assinar serviços específicos que usam hardware proprietário e limitado.

Mas, caso estejamos completamente errados e a Boxee Box também seja apenas para consumo local, o software utilizado é uma belezinha, organizando filmes e baixando informações de todo o conteúdo pela internet via Wi-Fi n ou Ethernet – e rola um controle com teclado QWERTY bem bacana. Mas ser um dos pioneiros da nuvem no país parece muito mais interessante do que ser mais uma caixinha dentre tandas opções. E se  lá nos EUA a disputa é acirrada, com Apple TV, Roku e afins no páreo, por aqui a dificuldade será fazer as pessoas entenderem que esse papo de mídia física está fadado ao esquecimento.