Em janeiro, administradores da CTA (Consumer Technology Association), a organização responsável pela CES, voltaram atrás e tiraram o prêmio de inovação para uma empresa de brinquedo sexual pelo fatos de o produto ser “imoral, obsceno, indecente, profano ou não correspondente com a imagem da CTA”. Passados cinco meses, a organização decidiu que a impressionante peça de hardware está finalmente merecendo o reconhecimento.

“Percebemos que não lidamos bem com a situação na época”, disse Jean Foster, vice-presidente sênior de marketing e comunicações da CTA, ao Gizmodo numa conversa nesta quarta-feira (8). “Cometemos erros na forma como lidamos com isso”, disse ela, acrescentando que após a CES, a organização se reuniu e se encontrou com Lora DiCarlo, a fundadora da empresa que criou o brinquedo sexual, para conversar.

O brinquedo erótico, chamado Osé, foi submetido na categoria drones e robôs do CES Innovation Awards, pois usa micro-robótica para imitar movimentos humanos. O diferencial do Osé é que ele não vibra, uma vez que a vibração pode causar perda de sensibilidade e até inflamações. Em vez disso, ele faz um movimento mecânico para estimular o ponto G dentro da vagina, enquanto usa ar e outros movimentos para imitar uma boca em contato com o clitóris.

“É sério?”, escreveu Lora DiCarlo em um blog post em janeiro detalhando o incidente. Lora escreveu no post:

Nosso produto que foi desenvolvido em parceria com um dos melhores laboratórios de engenharia robótica (a Oregon State University ocupa o 4º lugar entre os laboratórios robóticos dos EUA), inspirando a gênese do Laboratório de Desenvolvimento de Protótipos do professor John Parmigiani. Osé é o resultado de oito patentes pendentes e que conta com robótica, biomimética e engenharia. Temos uma equipe de mulheres geniais e engenheiros LGBTQI (inclusive com alguns homens maravilhosos) trabalhando em todos os aspectos deste produto— incluindo um doutor em engenharia mecânica com especialização em robótica e inteligência artificial e um engenheiro mecânico especializado em ciência de materiais com  formação em química. O Osé claramente se encaixa na categoria robótica e drone — e os juízes especialistas da CTA concordam.

À época, a CTA corroborou sua decisão de revogar o prêmio, dizendo ao Gizmodo em um e-mail que “o produto referenciado não se encaixa em nenhuma das categorias existentes de produtos e deveria não ter sido aceito no programa Innovation Awards. A CES não tem uma categoria para brinquedos eróticos. A CTA comunicou sua  posição para Lora DiCarlo quase dois meses atrás e pedimos desculpas pelo nosso erro.”

Fica claro que após a reação negativa, a organização se tocou e decidiu reconhecer que, mesmo que um produto faça as mulheres terem orgasmo, não significa que ele não mereça destaque por ser inovador.

“Concordamos que era a coisa certa a ser feita, que é dar o prêmio a eles”, disse Foster. Ela ainda disse que eles não alteraram nenhuma categoria de produto, mas que as empresas podem continuar a enviar seus produtos para as existentes, se acreditarem que são elegíveis.

E não precisa ser uma categoria separada para sinalizar que a organização respeita e está disposta a honrar o sucesso de produtos relacionados ao sexo. De fato, incluí-los em categorias tipo “design e engenharia excepcionais” é sem dúvida um gesto significativo, indicando que eles consideram esses dispositivos tão impressionantes e importantes quanto seus concorrentes.